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    Cartas do Fim do Mundo -

    Claudio Brites, Luiz Bras, Raimundo Carrero

    Terracota
    2009
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788562370113
    Português Brasileiro
    3.4
    6 avaliações
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    Está Escrito. O mundo vai acabar no dia 31 de julho de 2013. Entre meio-dia e 13h13, no horário de Brasília. Fim. Esqueça qualquer outra previsão que você já tenha visto, pois ela estã totalmente errada. Acredite, esse é o dia (31), o mês (julho) e o ano (2013) do fim de nossa existência. Como será? Não há como saber. Os textos sagrados analisados não preveem causas. Ao contrário, abrem um amplo leque de probabilidades catastróficas e deixam que a imaginação de cada um descubra os detalhes. E você sabe muito bem que bons e maus motivos para o fim não faltam. Os manuscritos sagrados sõ falam que tudo vai acabar, e no instante final nós finalmente saberemos se a verdade é uma ilusão e se o tempo não existe. Nesse momento último, poderemos tocar o germinar de nossa existência. Ou, como fizeram os escritores aqui reunidos, enviar uma carta aos nossos antepassados contando como tudo terminou. Como foi o fim do mundo.

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    Tibor Moricz picture
    Tibor Moricz31/05/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Lido e comentado.

    A coletânea Cartas do fim do mundo, organizada por Nelson de Oliveira e Claudio Brites e publicada pela Terracota Editora parte de uma premissa que considero excelente. Imagine que o mundo vai acabar no dia 31 de julho de 2013 (bem no dia do meu aniversário) e você decide escrever uma carta para alguém, seja familiar, amigo, conhecido, desconhecido ou para ninguém, apenas um relato solitário e histórico dos momentos angustiantes que precedem o fim. Celeiro de ideias incríveis, o mote nos suscita argumentos variados. Até preferia que autores reconhecidamente realistas mantivessem o foco no gênero em que se estabeleceram e consagraram. Não sei se a sugestão de adentrarem no terreno da FC foi objetiva ou subjetiva. Se houve uma sugestão direta ou se isso ficou no ar, meio que uma proposição vaga e não obrigatória. O que aconteceu foi que autores chapinharam no inverossímil ao tentar acrescentar uma especulação científica qualquer às narrativas que, sem elas, evoluiriam muito bem. De qualquer maneira, os textos são bons. Aconselho aos leitores de gênero que ignorem sugestões de naves mães conduzindo um êxodo de humanos para planetas distantes em pleno ano 2013. Ou essas sugestões se ancoram numa realidade alternativa muito mal sugerida, ou são arroubo fantasioso, talvez motivado pela angústia provocada pelo fim do mundo iminente. Há, claro, narrativas de FC genuína. E essas, escritas por quem entende do assunto, graças aos deuses. Segue abaixo um por um dos contos, alguns com meus comentários: 1- Raimundo Carrero – Entre fogo e gelo – 31 de julho de 2013 Um desolado relato do que restou do mundo, entremeado das reminiscências do protagonista. Texto condoído que revela muito da insensibilidade humana diante do inevitável. 2- Marcio Souza – Ipanoré Cachoeira – 31 de julho de 2013 Lenda indígena explica o fim do mundo. 3- Braulio Tavares – Campina Grande – Agosto 2014 Presente e futuro (ou passado e futuro) ligados por um comunicador quântico. Fim do mundo anunciado, improrrogável e inevitável. 4- Moacyr Scliar – Porto Alegre – 10 de agosto de 2013 Conto que relata o fim do mundo para um e não para todos. Homem que crê em novo dilúvio universal refugia-se em local que acredita seguro. Mas o fim sempre nos encontra onde quer que nos escondamos. 5- Marcelino Freire – Sertânia – 31 di Julio di 2013 Homem do sertão narra o fim do próprio mundo onde o mundo acaba todos os dias. Marcelino insere uma viagem à lua perfeitamente dispensável. A realidade concreta de um homem habituado à luta diária pela sobrevivência sequer cogita viagens espaciais. 6- Xico Sá – São Paulo – 31 de julho de 2013 Crônica cotidiana, reclamações e constatações. Fim do mundo aguardado com festividade e desdém num botequim. 7- Menalton Braff – Terra, 30 de junho de 2013 Distopia revela um planeta completamente esgotado. Humanidade regride às suas condições mais primitivas. Especulação inverossímil. Muito pouco tempo para que tal magnitude de degradação nos atingisse. 8- Luis Dill – Londres – 31 de julho de 2013 Droga psicotrópica nova demonstra poder muito acima das expectativas. Viagem no tempo e o fim do mundo explicado de maneira muito convincente. 9- Marne Lucio Guedes – Mundo – 31 de julho de 2013 Conto intenso. Homem liberto da fé a que se entregou avidamente ao tomar conhecimento do fim do mundo mergulha no vício e na degradação. Texto forte e muito bem trabalhado. 10 – Moacyr Godoy Moreira – São Paulo – 31 de julho de 2013 Criminoso em penitenciária se penitencia ao irmão pio. Alusão a êxodo humano em busca de novos planetas põe o conto em xeque. Inverossímil, embora pungente. 11 – Brontops Baruq – Metrópolis – 30 de julho de 2013 Já publicado num dos Portais. Conto cru, pragmático e pungente. Lamento ter sido alterado. Provavelmente uma exigência editorial que não esconde a sombra pútrida da censura, mesmo que razões internas tentem justificar. 12- Claudio Brites – Cidade desconhecida – 3 de agosto de 2013 Conto narrando um final de mundo que me faz lembrar vagamente de Blecaute de Marcelo Rubens Paiva e Escuridão de André Carneiro. Junte alguns gigantes e voilá! Uma narrativa enlouquecida do último homem (zumbi?) sobre a terra. 13 – Luiz Bras – São Paulo – 31 de julho de 2013 Homem do futuro envia carta a homem do passado. Pequeno detalhe: trata-se do mesmo homem. Fim do mundo prenuncia revolta de cupins, baratas e (trecho ilegível). Construa uma (trecho ilegível) ou morra dolorosamente. 14 – Fausto Fawcett – 31 de julho de 2013 Firma promotora de apocalipses mata o leitor desavisado com verborragia intensa e coordenada e deixa o senhor Armageddon em maus lençóis. Os pólos magnéticos continuam numa boa, os ventos solares também, mas acho que precisarei passar uma temporada numa câmara hiperbárica.

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    Claudio Brites

    Claudio Brites nasceu em 1983, São Paulo (SP). É formado em Letras (2006) e Mestre em Linguística (2011), pela Universidade Cruzeiro do Sul, onde cursa hoje graduação em Psicologia. Editor chefe da Terracota editora, também coordena cursos e eventos sobre literatura e arte. Organizou algumas coletâneas, entre elas: Cartas do fim do Mundo (com Nelson de Oliveira, 2009), Mecanismos Precários (idem, 2010) e Abigail (ibid, 2011); publicou contos e crônicas em tantas outras e o romance A tríade (2010), feito em co-autoria com mais 3: Carlos Andrade, Kizzy Ysatis e Octavio Cariello. Atualmente trabalha em seu primeiro livro solo, Talvez, contemplado com uma bolsa do Programa de Ação Cultural (PROAC), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Fundou o grupo Escritores de Segunda, em São Paulo, onde mora com sua esposa e filhos.

    12 Livros
    1 Seguidor
    São Paulo, Brasil

    Claudio Brites