A menina que brincava com fogo (E-book) (Millennium #Livro 2) -

    Stieg Larsson

    Companhia das Letras
    2009
    817 páginas
    1d 3h 14m
    ISBN-13: 9788563397133
    Português Brasileiro

    "Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade", raciocina Lisbeth Salander, protagonista de A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson. O autor - um jornalista sueco especializado em desmascarar organizações de extrema direita em seu país - morreu sem presenciar o sucesso de sua premiada saga policial, que, somente na Europa, já vendeu mais de 6,5 milhões de exemplares. Nada é o que parece ser nas histórias de Larsson. A própria Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciberpirataria quanto nas táticas do pugilismo, que sabe atacar com precisão quando se vê acuada. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro. Um destes, o tutor de Lisbeth, foi morto a tiros. Na mesma noite, contudo, dois cordeiros também foram assassinados: um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes - um Colt 45 Magnum - não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth. Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça - a seu modo. Mas ele também sabe que precisa encontrá-la o mais rapidamente possível, pois mesmo uma jovem tão talentosa pode deparar-se com inimigos muito mais formidáveis - e que, se a polícia ou os bandidos a acharem primeiro, o resultado pode ser funesto, para ambos os lados. A menina que brincava com fogo segue as regras clássicas dos melhores thrillers, aplicando-as a elementos contemporâneos, como as novas tecnologias e os ícones da cultura pop. O resultado é um romance ao mesmo tempo movimentado e sangrento, intrigante e impossível de ser deixado de lado.

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    Jader Barretto de Carvalho07/07/2025Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    "A Menina que Brincava com Fogo" – Stieg Larsson

    Este é o segundo volume da trilogia Millennium, e dá continuidade direta aos acontecimentos do livro anterior, mergulhando ainda mais fundo no passado e na complexidade de Lisbeth Salander. O início do livro, no entanto, é consideravelmente mais lento. A narrativa parece "cozinhar em fogo baixo", com uma reapresentação longa de Lisbeth, enfatizando sua inteligência excepcional e seus relacionamentos atípicos — pontos já bem estabelecidos no volume anterior. O mesmo acontece com Mikael Blomkvist, cuja caracterização gira em torno de sua natureza mulherenga, algo também reiterado além da medida. Esse início arrastado pode exigir paciência, mas pode funcionar como preparação para os acontecimentos posteriores. Entre os novos personagens, Mimi, Dag e Mia se destacam positivamente. Sua introdução é feita com clareza e propósito, alimentando a expectativa para os conflitos que se aproximam. A construção de tensão é eficaz, especialmente com a movimentação ameaçadora de personagens como Lundin e o “gigante loiro”. Ainda que o final apresente soluções um tanto convenientes, o livro preserva o fio condutor de sua protagonista: Lisbeth. Sua fuga, resistência e busca por justiça impulsionam a narrativa. Uma crítica ao aparato estatal (não sei se intencional), especialmente ao modo como ele coopta profissionais e distorce verdades, serve como pano de fundo forte para quem lê o livro com esse olhar. "A Menina que Brincava com Fogo" não tem a mesma força investigativa, mas compensa ao aprofundar Lisbeth e iluminar zonas obscuras de seu passado. Mesmo com tropeços de ritmo e um certo exagero em conexões familiares, o livro se mantém envolvente e necessário para quem quer compreender, de verdade, tudo o que representa "todo o mal" na vida dessa personagem singular. Faltou um pouco da parceria Mikael-Lisbeth, e o final é muito seco, parece que todos os outros personagens exceto Lisbeth, terão que esperar o próximo livro para seus confrontos e desfechos.

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