Escrito por Liev Tolstói em 1886, "De quanta terra precisa um homem?", é uma história envolvente sobre um camponês chamado Pahom que, embora desfrute de saúde e da felicidade junto a sua família, começa a se sentir insatisfeito quando fica sabendo das grandes fortunas de seus parentes, já que vive na miséria. Com a descoberta, começa a sentir a ganância crescer dentro dele e então decide que precisa conseguir mais terras, não importa de qual forma. Caso conseguisse terra o bastante, acredita que não mais temeria nem mesmo o Diabo. A cada nova aquisição de terras, Pahom se vê diante de novos problemas... a cobiça cada vez mais enraizada em seu ser... o Diabo observando... "De quanta terra precisa um homem?" é um esplêndido retrato da visão sobre os antigos valores russos, muitos dos quais, ninguém vai se surpreender ao ouvir, são paralelos ainda muito atuais. A maior história que a literatura mundial conhece - James Joyce
De quanta terra precisa um homem? -
Liev Tolstói
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diário de bordo ☞ trabalho de filosofia "Um dia de dor, uma vida de amor.”? Este conto de Liev Tolstói, “De quanta terra precisa um homem” se inicia com duas irmãs discutindo sobre qual de seus estilos de vida era melhor: o da cidade ou do campo; se o conforto e o luxo superavam as vantagens da tranquilidade e segurança. O marido de uma das mulheres, um simples camponês chamado Pahóm, nosso protagonista; ouvindo esta conversa reflete que, o que consome os lavradores é não ter terra o bastante, e que se tivesse toda a terra que quisesse, não temeria nem o Diabo. E o próprio Diabo, ouvindo isto, aceita a ideia do camponês como um desafio e diz que ele há de sofrer por toda esta terra que almeja. Pahóm, então, consegue obter cada vez mais terras, mas concomitantemente começa a tratar mal sua família e seus vizinhos; e nunca estava satisfeito com o que possuía. Até que um dia conversando com um comerciante, tomou conhecimento de terras donde os proprietários, os Baquires, cediam vários hectares a quem fosse amigável e os trouxesse alguns presentes somente; o camponês achou uma oportunidade imperdível e foi até os donos destas terras imediatamente. Executou o planejado, e como esperado os Baquires colocaram suas terras à disposição, mas com uma condição: ele poderia ter a terra que conseguisse rodear até o pôr-do-sol. Pahóm fica contentíssimo e mal consegue esperar para reivindicar o máximo de terras que conseguisse. Mesmo sonhando com o próprio demônio na forma dos indivíduos com quem negociou terras rindo sobre seu cadáver, não sequer hesitou sobre novas posses. No amanhecer do dia seguinte partiu para circundar seus novos terrenos, mas não poderia prever que sua ganância o levaria longe demais… "Ao chegar à colina, tudo escureceu: o Sol pusera-se; deu um grito: «Tudo em vão!» “ 🗨️ Tolstói ao intitular este conto “De quanta terra precisa um homem” levanta um questionamento que responde no final da história: “fez uma cova em que coubesse Pahóm e meteu-o dentro; sete palmos de terra: não precisava de mais.” O objeto direto de reflexão deste conto é a ganância do homem, a ambição desmedida de bens materiais em nome de uma suposta felicidade, que na verdade é guiado pelo próprio mal do homem, que no conto foi representado pelo Diabo. Sócrates, criador da máxima “conhece-te a ti mesmo” já advertia que a felicidade parte do autoconhecimento, que encontramos a virtude dentro de nós mesmo e não em coisas externas. Segundo ele, quanto mais virtuoso, maior será a chance de que seja feliz, porque fará bem a si e também aos outros, pois felicidade e a virtude andam sempre de mãos dadas. Felicidade é sinônimo de bondade, e a verdadeira felicidade mora dentro de nós, alcançada através da introspecção e consciência de si mesmo. No conto, Pahóm se contrapõe a todos esses ideais. Deixando-se levar pela ganância, acreditando que a felicidade seria uma espécie de linha de chegada que quando obtivesse o tanto de terras que precisava estaria plenamente feliz; esquecendo de seus próprios valores e de sua própria essência, não dando ouvidos nem mesmo a sua consciência, acreditando que a felicidade seria externa, palpável e mensurável; e que estaria o mais distante de si possível. O mal o conduz, levando-o a tratar mal vizinhos e família; acreditando que o sacrifício o levará a essa incrível alegria alcançável. A felicidade e a bondade se distanciam de Pahóm, dando espaço para a infelicidade e a maldade; que o conduz até seu leito de morte, onde já se era tarde demais para arrependimentos. Podemos então concluir que a narrativa se debruça sobre ideais socráticos, por meio de um protagonista levado por uma imensa cobiça material em nome de um suposto estado de plenitude; que só o distanciou de sua própria essência e da satisfação com sua própria vida. Reafirmando assim, que a felicidade só pode ser alcançada através do autoconhecimento.
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