Clara da Luz do Mar -

    Edwidge Danticat

    Todavia
    2022
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9786556922041
    Português Brasileiro

    Um romance delicado sobre os laços que criamos com a natureza e com aqueles à nossa volta. No dia do aniversário de sete anos de Claire Limyè Lanmè, seu pai decide entregá-la para Gaëlle, a vendedora de tecidos da pequena Ville Rose, no Haiti, para que ela dê à menina uma vida melhor. Neste triste e delicado romance, Edwidge Danticat fala dos misteriosos laços que criamos com a natureza e com aqueles à nossa volta. Como num tecido, as vidas dos moradores do vilarejo se entrelaçam, e cada história revela algo da tragédia de todos eles, mas também seus momentos de força, resistência e esperança.

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    Brenda Moleda11/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma obra de “realismo esperançoso”.

    Ariano Suassuna é dono de uma citação famosa que diz: “Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo todo.” Quando terminei o livro desse mês fiquei com isso na cabeça… É como se a obra toda transbordasse esse “realismo esperançoso” que Ariano descreveu. É lindo ver como a autora conduz a trajetória de cada personagem com tanta humanidade, apesar do desalento, de descrever atos abomináveis, da pobreza, de tanta injustiça e desgraça. Até personagens como Max Filho, que foi capaz de uma violência tão repugnante contra Flore, tem sua história contada com compaixão. Na crítica feita por Luciany Aparecida, contida no posfácio da revista que acompanha o kit da TAG, tem um trecho em que ela diz “o que a escritora haitiana faz em Clara da Luz do Mar é humanizar o que pode resultar devastador: a ação de narrar histórias de dor.” Bem, penso eu que isso resume bem a beleza que autora conseguiu construir nessa obra. Gosto especialmente da forma como ela conduz toda a história, me lembrou a experiência que tive com O Alforje, outro título que tive contato graças à curadoria da TAG. Esse jeito de contar histórias, com a narrativa alternando-se para mostrar as perspectivas de cada personagem, é o que possibilita e aprofunda realmente a humanização da trajetória de cada um. Também é lindo ver como cada destino, por mais alheio que pareça ao de outro personagem, desemboca no mesmo momento. Outro ponto que me conquistou foi a inserção da cultura haitiana em passagens que citam a crença em revenants e na prática cultural de ceder crianças para serem criadas como restaveks, que atiçou minha curiosidade para consultar o Dr. Google e me aprofundar em pesquisas sobre o Haiti. A obra transborda. No fim disso tudo, fiquei com uma sensação de abandono, meu lado otimista desejava ver os próximos passos Claire e seus conterrâneos e que estes passos transbordassem bençãos… o que obviamente não aconteceria. Mas o realismo esperançoso que encontrei já me bastou pra que esse livro ganhasse um cantinho cativo no meu coração (coração que este que está partido até hoje com o destino de Bernard), se bem que, se eu for ser beeeem sincera, na minha cabeça, talvez pra aplacar um pouco desse “abandono” sentido, me convenci que Claire sempre terá um destino lindo e a justiça, a bondade e a redenção chegará a cada um que delas precisar. Sim, a TAG conseguiu mais uma vez: experiência literária inesquecível.

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