O beijo no asfalto -

    Nelson Rodrigues: Arnaldo Branco,roteirista

    Editora Nova Fronteira
    2007
    72 páginas
    2h 24m
    ISBN-13: 9788520920022
    Português Brasileiro

    Um homem casado beija a boca de outro homem que acaba de ser atropelado. Estampado como manchete de jrnal, "o bejo no asfalto " torna - se o assunto mais comentado da cidade . Um episódio inusitado dispara uma série de ações que misturam intrigas da imprensa, corrupção da polícia , preconceitos sexuais e crise da moral familiar burguesa. O beijo no asfalto estreou em 1961, nos palcos do Teatro Ginástico, no Rio de Janeiro. Autor homenageado na V FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty, Nelson Rodrigues revela, com esta peça, por que foi e continua sendo motivo de debates e polêmicas inesgotáveis. A Nova Fronteira lança agora O beijo no asfalto, uma das mais cnhecidas tragédias cariocas de Nelson Rodrigues, no formato graphcs novel. Ao unir o talento do dramaturgo à estética dos quadrinhos, a editora inaugura uma nova linguagem para este clássico do teatro brasileiro.

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    Jonas Reis Corrêa picture
    Jonas Reis Corrêa11/05/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O beijo no asfalto: Graphic Novel

    O beijo no asfalto é uma tragédia contemporânea, onde o enredo pode ser caracterizado como simples, porém os acontecimentos são surpreendentes e nada convencionais. Nelson Rodrigues utiliza uma linguagem usual, que é empregada para ser falada pelos atores representantes. Nos diálogos, há muitas interrupções na fala; esses cortes são recorrentes da língua falada, e na obra, são escritas. Como não há narrador, só diálogos, a obra é muito dinâmica e permeada de ações. Entretanto, fica impossível o leitor conhecer o que passa de sentimentos e percepções nos personagens no desenrolar da trama. Arandir é um personagem que sofre uma intensa transformação. Não por sua culpa ou vontade, mas por maldade e preconceito alheios. Ao beijar a boca do morto, Arandir deixa de ser visto como na realidade é – um homem honesto, trabalhador, bom marido – e passa a ser engessado como homossexual e criminoso, e fica a se esconder, solitário. Para ele, o beijo foi um sinal de caridade, de amor ao próximo, sem ter outra saída, fez o bem a um desconhecido. Para a sociedade corrupta e preconceituosa, não há lugar para bons sem sentimentos sem haver nada em troca. Seria, assim, impossível um homem dar um beijo em outro homem apenas por sinal de amizade. Os personagens não aceitam a história de Arandir e se unem para cada vez mais provar que ele já conhecia o morto e forma-se uma verdadeira conspiração contra o personagem. Outra personagem que também sofre uma transformação é Selminha. Ela mostra-se uma esposa dedicada, amorosa e apaixonada pelo marido. Porém, na primeira notícia, já duvida se seu marido é realmente heterossexual. Desacreditando dele, Selminha fica com nojo de beijá-lo e, apesar de sofrer, recusa se encontrar com ele no hotel.

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