Dia destes eu voltava do trabalho; era a semana do dia internacional da mulher e vi a propaganda de um curso que dizia: " Mulher que investe em si mesma vai mais longe".
Percebi imediatamente uma conexão entre a filosofia da propaganda e minha leitura de Verão de Edith Wharton. O romance de 1917 narra as aventuras de uma jovem que desperta sexualmente enquanto ao mesmo tempo se percebe incapaz de sonhar e assim batalhar por uma vida futura com o homem amado.
A escritora feminista Marilyn French diz em seu romance- ensaio "Mulheres" que não gosta dos romances de Wharton porque, neles, o mundo exterior é tão forte que condena seus personagens a nunca conseguirem vencer as adversidades por mais que tentem.
Mas, será este o caso de " Verão"?
Não achei. Logo no início, vemos a heroína dizer não a uma oportunidade de estudar fora da cidadezinha onde vive; e esta aparente decisão menor terá sérias consequências para a autoestima da jovem, sua autoimagem, segurança, e chances de mudar seu destino.
Não. Ela não é uma vítima impossibilitada de lutar; é, como muitas vezes ocorre, alguém que deixou passar uma oportunidade de melhorar e depois colheu o resultado disso.
" Verão" é sobre fazer escolhas, e depois ter de conviver com o resultado delas.