Este livro afirma, com todas as letras, que ler é uma aventura de liberdade e prazer que nasce num tempo em que todos estamos na escola e esta, incapaz de respeitar essa necessidade lúdica, trai o prazer que a estimula, e faz da leitura um expediente composto apenas por tarefas árduas. A descoberta do mundo, que se ramifica em muitas atividades, e sobretudo na leitura, é, assim, comprometida nos bancos escolares, que não admitem que o aluno pegue um livro ao acaso, um livro que lhe seja próximo, e como se fosse um pai patrão do tempo antigo escolhendo o marido para a filha, aponta para o aluno a "obra certa", geralmente clássicos, forçosamente descontextualizados, espinho grosso para leitores verdes. O resultado é, como se sabe, um desastre: a resistência em ler, o enfado e a antipatia diante da página impressa. O jovem resistindo ao que lhe cai na mão e tem o nome de livro. Anos depois, já fora da escola, e mesmo frente a frente com um autor que fale a sua linguagem e possa revelar-lhe uma face profunda da realidade, o leitor destruído por essa escola autoritária, preguiçosa e desinformada já não pode mais encarar o livro, receber tudo o que este lhe oferta, a obra fica abandonada numa estante e o ex-futuro leitor permanente o ser míope que a vida escolar gerou. Máquina de Destruir Leitores é, apesar da vocação de ensaio, uma obra de ficção.
Máquina de destruir leitores -
Jéferson Assumção
Sulina
2000
103 páginas
3h 26m
ISBN-10: 8520502679
Português Brasileiro
Estatísticas
Avaliações
4.3 / 3- 5 estrelas33%
- 4 estrelas67%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%