Para falar de “Literatura e Sociedade” é preciso voltar ao ano de 1959, ano que vinha à luz das publicações nacionais o livro “Formação da Literatura Brasileira”, estudo do professor Antonio Candido sobre as principais obras e autores do Arcadismo e Romantismo. Nesse livro, o crítico explica seu sistema literário, mais especificamente a tríade formada por autor-obra-público. Em “Formação da Literatura Brasileira”, Candido prende-se no Arcadismo e no Romantismo, por ver nesses dois movimentos o início de nossa Literatura Nacional.
Em 1965, com “Literatura e Sociedade”, o autor retoma o seu sistema e salienta a importância do ambiente na tríade. Candido fala do valor da interpretação social de obras literárias, ressaltando que essa interpretação social não deve anular a interpretação estética, isto é, o externo (meio) não deve sobressair-se ao interno (a obra em si).
Ainda em “Literatura e Sociedade”, o crítico retoma o Arcadismo e o Romantismo (séculos XVIII e XIX), todavia vai além; esquadrinha os autores, as obras, todos de relevante importância de nossa literatura, até a geração de 45 (século XX). Questionamentos sobre nossa formação literária e nossa independência são expostos no estudo. Para Candido, é no Arcadismo que começa a produção literária nacional. Segundo ele, antes só tínhamos apontamentos de literatura. É com os árcades que as coisas da terra, a descrição, a cor local começam a surgir em nossa literatura. Mas não é só isso, há também um interesse em contar nossa história. Exemplos disso são as poesias épicas “O Caramuru”, de Santa Rita Durão e “O Uraguai”, de Basílio da Gama, dois autores admirados pelos românticos , que enxergam neles a possibilidade de continuação do tema nacional. Já na primeira metade do século XX, os modernistas são de grande importância pelo vasto trabalho de pesquisa folclórica, por apresentarem maior liberdade na escrita poética e ficcional e, principalmente, por serem um “abre-alas” literário às futuras gerações, principalmente a de 45.
Para não estender muito, em resumo, Candido aponta três fases de culminância literária: a árcade, a romântica e a modernista. A primeira por iniciar a literatura de cunho nacional, a segunda por dar continuidade e a terceira pelo desprendimento, pela despreocupação de se parecer com Portugal.