Livro de doutrina muito bem adaptado para a formação que se espera dos atuais estudantes e profissionais do Direito que lidam com a área penal, traz escolas penais, conceitos entrelaçados com teorias modernas e nomenclaturas específicas. Discorre sobre os institutos, a dogmática, jurisprudência dos tribunais superiores e recentes julgados com potencial de cobrança em provas. No entanto, justamente por se tratar de doutrina, espera-se que o autor corrija doutrinariamente as aberrações existentes no direito atual e, para isso, basta que ele se posicione firmemente, com a sua escrita, contra as distorções judiciárias praticadas pelo STF e demais burocratas dentro da sua órbita de poder.
Ao contrário, Sanches pende mais para a cumplicidade com relação à politicagem de agentes instalados no STF. Tenho as obras de 2016 e 2020, mas eu não duvido que nas atuais ele tenha seguido o mesmo ritmo de complacência com os absurdos praticados por políticos no judiciário. Por exemplo, será que nas obras de 2024 e 2025 ele aceitou fingir que a criação de crime de homofobia pelos políticos do STF na verdade foi uma mera interpretação extensiva e legítima? Conhecendo a tendência de entre um conflito envolvendo lei e Constituição e órgãos de poder judiciário, prestigiar estes últimos, eu apostaria que o autor aceitou sim fingir que o órgão não usurpou a função legislativa, defendendo a higidez da determinação política prolatada pelos ministros. O mesmo autor já defendeu a ideologia incrustada na questão de violência doméstica, que levou a mitigações de direitos básicos em garantias dos réus, incorporando a ideologia feminista como se fosse um critério válido de atuação.
Em resumo, em que pese a estrutura e facilidade de leitura do livro, não há a dignidade doutrinária que se espera de um autor.
Observação: A editora juspodivm censura comentários negativos ou críticos em seu site, por isso se vocês forem lá verão vários comentários com 4 ou 5 estrelas. Essa é uma prática desonesta e malandra da editora.