The Kiss Curse é a sequência da história que conhecemos em A Maldição do Ex, publicado aqui pela Editora Alt. Escrito por Erin Sterling (Rachel Hawkins, sem o pseudônimo), acompanha Gwyn Jones em sua vida de bruxa e proprietária de uma loja mágica no momento em que um rival aparece para competir com a sua clientela.
Gwyn Jones ama sua cidade, sua loja de artigos para turistas que amam bruxaria, e sua magia. Ela é extrovertida e de bem com a vida, e tem tudo sob controle. Ainda mais agora que sua prima, Viv, e o marido, Rhys, estão para finalmente viajar em uma merecida lua de mel.
O problema começa quando o irmão mais velho de Rhys, o frio e misterioso Wells, vem para a cidade. O pior acontece quando ele abre uma loja de artigos para turistas que amam bruxaria bem em frente à loja de Gwyn, começando uma guerra competitiva entre os dois negócios.
Fica ainda mais complicado quando os dois se unem para investigar o que parece uma anomalia mágica envolvendo uma bruxa recém-chegada, o que os força a trabalhar juntos e se aproximar. A proximidade, ao invés de repeli-los, parece aproximá-los. E quanto mais Gwyn e Wells passam tempo juntos, mais parece que uma atração mágica está nascendo entre eles.
"Gwyn sabia que isso poderia acontecer. A magia era uma coisa selvagem, afinal de contas."
The Kiss Curse é exatamente o que A Maldição do Ex foi: uma romantasia bem humorada, com personagens cheios de carisma e um monte de trapalhada mágica.
A cidade de Graves Glen está em paz depois que a maldição foi resolvida, mas o Halloween se aproxima e, com ele, o caos das comemorações que o acompanham. Por isso, quando toda a situação com a loja do Wells se abrindo acontece, é em meio a esse pandemônio. Então torna tudo mais engraçado ainda.
É bem aquela coisa de concorrência fazendo picuinha e planos para atrapalhar uma a outra, sabe? Ele e a Gwyn se detestam mutuamente, e adoram pisar no calo um do outro.
The Kiss Curse se move através dessa rivalidade, mas também de ter alguma coisa estranha acontecendo na cidade. Uma energia bizarra, coisas esquisitas com a magia da Gwyn, a sensação crescente de que tem algo cada vez mais errado ali.
Eu gostei demais da Gwyn. Ela é tão extrovertida e espontânea, cheia de piadocas para todos os cantos. É aquele tipo de protagonista que rouba seu coração logo nas primeiras páginas simplesmente por existir.
A relação dela com a magia, com a família e com Graves Glen é muito querida. Tem toda uma interação muito divertida da Gwyn com três aprendizes de bruxaria que ela acaba se tornando mentora, e é fofo como ela vê nessas garotas uma oportunidade de ajudar a encontrar espontaneidade - coisa que ela não encontrou quando estava na faculdade.
Importante pontuar também que Gwyn é uma protagonista bissexual, e entre o seu trio de aprendizes temos ume bruxe não-binárie. Viva os queer!
Pela aura excêntrica e cheia de vida, é bom demais quando o Wells chega na cidade. Ele, todo sério e compenetrado, seguidor das regras, o filho perfeito. Vir para Graves Glen envolve um plano para se libertar das responsabilidades com a família, ao mesmo tempo em que também serve para mostrar que é leal à família.
Mas, uma vez na cidade, o Wells encontra liberdade. Mais do que tudo, encontra um lar. E é tão bonitinho ver ele se desprendendo da rigidez e da seriedade, abrindo a loja e descobrindo o que ama fazer.
Junte isso aos embates entre a personalidade séria contra a surtada da Gwyn, e você tem o nascimento de um ship hate to love maravilhoso.
The Kiss Curse, como eu disse, é uma romantasia. O romance é o que move a trama, junto com o enigma do que tem acontecido na cidade e na magia. E como a autora sabe desenvolver um romance gostosinho!
"E quando os olhos dela encontraram com os dele brevemente, uma covinha de "𤬠#$%!& você" se formando com o sorriso dela, Wells percebeu que ele nunca tinha se sentido tão atraído por uma mulher em toda a sua vida."
Das picuinhas para a atração para o companheirismo até o amor é toda uma grande montanha-russa, e funciona bem demais, mais uma vez, porque Gwyn e Wells são tão opostos que nasceram um para o outro.
A questão com a atração também puxa um gancho forte do livro que são as cenas hot. Eu diria que, assim como o primeiro, fica naquela base do +16 porque não é explicitamente explícito, mas acontece de maneira detalhada. E acontece várias vezes no decorrer do romance. Então, sim, é um livro adulto.
Diferente do primeiro livro, aqui temos uma participação menor da mãe da Gwyn e da Viv. Elas aparecem, mas o trio de aprendizes a bruxaria são muito mais importantes. Tem também participações misteriosas e soturnas que ajudam a construir um clima de mistério muito interessante. Quando você acha que o livro está indo por um caminho, ele reverte numa reviravolta surpreendente.
Se tem um defeito nele, eu diria que é o final. Acabou se apressando demais para resolver tudo em um capítulo só, e pareceu um pouco... deus ex machina demais? Depois de trabalhar, durante toda a história, em uma coisa, puxar a resolução de outro lado soou um pouco abrupto e sem sentido demais.
Espero muito que essa sequência venha para o Brasil. Eu me apaixonei por Viv e Rhys em A Maldição do Ex, e tive o coração roubado mais uma vez pela Gwyn e pelo Wells em The Kiss Curse. Se procura uma história de amor e bruxaria, eu indico demais essas!