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    A gente é da hora - homens negros e masculinidade

    bell hooks

    Elefante
    2022
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9786587235844
    Português Brasileiro
    4.5
    107 avaliações
    Leram142Lendo43Querem482Relendo0Abandonos5Resenhas17
    Favoritos13Desejados482Avaliaram107

    Entre outras coisas, bell nos liberta para sabermos que temos o direito de ser amados e que essa é uma luta necessária. Ela também nos diz que devemos amar, mas amar com mais respeito, responsabilidade, compreensão, companheirismo e demonstração constante de afeto e coragem. E seguirmos em luta. Porque ainda precisamos refletir criticamente sobre o passado, nos defender para que nossos corpos não sejam tratados como um alvo para a morte, transgredir os limites estabelecidos pelo racismo, nos curar e criar conexões. — Lázaro Ramos, na apresentação *** Lamentavelmente, a verdade de fato, que é um tabu quando verbalizada, é que nossa cultura não ama homens negros; eles não são amados por homens brancos, por mulheres brancas ou por mulheres negras, nem por meninas e meninos. Sobretudo, a maioria dos homens negros não se ama. Como eles poderiam amar a si mesmos e uns aos outros, como poderia se esperar que eles amassem cercados de tanta inveja, desejo, ódio? Homens negros na cultura do patriarcado supremacista branco capitalista imperialista são temidos, não amados. Obviamente, parte da lavagem cerebral que ocorre em uma cultura de dominação é a confusão entre temor e amor. Prosperando nos laços sadomasoquistas, as culturas de dominação fazem com que o desejo por aquele que é desprezado assuma a aparência de cuidado, de amor. Se os homens negros fossem amados, poderiam esperar mais do que uma vida trancafiada, enjaulada, confinada; eles poderiam se imaginar além da repressão. — bell hooks, no prefácio *** Em A gente é da hora, bell hooks reúne dez ensaios sobre homens negros e masculinidade. Lançado originalmente em 2004, nos Estados Unidos, o livro surgiu em meio ao que a autora considerava um vazio literário sobre o tema. “Como mulher negra que se preocupa com o sofrimento dos homens negros, sinto que não posso mais esperar que os irmãos tomem a liderança e espalhem a palavra. Passei dez anos esperando por isso. E nesses anos o sofrimento dos homens negros se intensificou”, afirma a autora. “Com este livro, espero somar minha voz ao pequeno coro que fala em nome da libertação masculina negra. As mulheres negras não podem falar pelos homens negros. Nós podemos falar com eles. Ao fazê-lo, incorporamos a prática da solidariedade, em que o diálogo é a base do amor verdadeiro.” Como sempre, bell hooks mistura aspectos de sua vida pessoal — aqui, sobretudo, a experiência de ter crescido em uma família patriarcal — com a leitura crítica de uma vasta bibliografia. O resultado é um livro que, nas palavras de Lázaro Ramos, que apresenta a edição brasileira, conforta e, ao mesmo tempo, causa desassossego.

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    Gabriel Arouche picture
    Gabriel Arouche14/06/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

    Provavelmente esse foi o melhor livro que li na vida e uma mensagem específica levarei para toda a vida: homens negros precisam de cura. bell hooks sempre me atravessa de maneira especial e me transporto para uma jormada de autoconhecimento em toda obra escrita por ela. Recuperar meu corpo, sentimentos e intimidade só virou uma agenda quando comecei a entender que o afeto sempre seria negado ao meu corpo, lá em 2018. Foi aí que iniciei um processo terapêutico de deixar o auto ódio de lado e cultivar coisas que me fazem bem e/ou melhor. O caminho é doloroso pois a “cura exige o rompimento com a negação”, olhar para responsabilidades, o autoconhecimento e até para a autodeterminação. Outro ponto muito importante e presente nas obras de bell hooks é o amor, não o romântico, mas a sua amplitude: entre pais e filhos, irmãs e irmãos, amigos e por aí vai. Vindo de uma família disfuncional, que pouquíssimo afeto era compartilhado e demonstrado, até o simples sentir era confuso. E isso é algo que me acompanha até hoje, mas fazer terapia e ser consciente das minhas dores tem ajudado a mudar essa realidade. Encerro minhas impressões e reflexões com esse trecho do livro: “Podemos escolher um amor que corajosamente busque a alma ferida, a encontre e ouse trazê-la para casa, fazendo o que for preciso para ajudar a reunir os cacos e pedaços, para nos tornar inteiros. Isso é da hora de verdade. Isso é amor de verdade.” Obrigado, bell hooks, pois acho que isso é exatamente o que você faz com as pessoas negras que leem os seus livros, reúne alguns cacos da alma assassinada e nos coloca rumo a autorrecuperação.

    15 curtidas

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    4.5 / 107
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas8%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas0%
    Gloria Jean Watkins  profile picture

    Gloria Jean Watkins

    bell hooks é o pseudônimo de Gloria Jean Watkins, escritora norte-americana nascida em 25 de setembro de 1952, no Kentucky – EUA. O apelido que escolheu para assinar suas obras é uma homenagem a tataravó Bell Blair Hooks. A justificativa do nome ser escrito todo em letra minúsculas, é servir a duas funções: distinguir-se de sua parente homenageada, e estabelecer a importância do conteúdo de seus textos em comparação com a sua biografia. bell hooks usou a própria vida como fonte dos seus primeiros estudos sobre raça, classe e gênero, sempre buscando nesses três elementos, os fatores da perpetuação dos sistemas de opressão e dominação. A autora, feminista e ativista social assumida, foi premiada com um 'The American Book Award', um dos prêmios literários de maior prestígio em seu país. Entre as influências de hooks, além de Martin Luther King, Malcom X e Eric Fromm, figuram a feminista Sojourner Truth (cujo discurso 'Ain't I a Woman?' inspirou uma das obras de hooks), o educador Paulo Freire, o teologista e padre dominicano Gustavo Gutierrez, Lorraine Hansberry, o monge Budista Thich Nhat Hanh, o escritor James Baldwin, e o historiador guianense Walter Rodney.

    61 Livros
    574 Seguidores
    Kentucky, Estados Unidos

    Gloria Jean Watkins