Cinco amigos decidem montar uma banda de rock pesado em busca de fama, garotas e diversão. E acabam se metendo em aventuras bizarras e situações hilariantes, enquanto tentam fazer a música mais triste do mundo, capaz de fazer uma pessoa querer se matar. Em meio às céleres e profundas transformações de nossos tempos, a morte continua sendo a única certeza, que nos possibilita compreender melhor o grande mistério da vida. Do autor de “O Sincronicídio” e “Favela Gótica”, uma narrativa corajosa e surpreendente sobre a descoberta de si mesmo e o valor da amizade, inspirada na história real do Imago Mortis. A ópera rock “VIDA – The Play of Change”, da banda Imago Mortis, lançada internacionalmente e considerada um dos melhores discos de heavy metal já gravados no Brasil, completa em 2022 vinte anos de seu lançamento pelo selo paulista Die Hard Records. Para celebrar a data, o escritor Fabio Shiva, que foi um dos fundadores do Imago Mortis e participou de todo o processo de composição e gravação do “VIDA”, decidiu lançar uma nova edição revista e ampliada do e-book onde conta a história da banda sem poupar nenhum dos detalhes escabrosos. Como o próprio título do livro já entrega, o humor é a tônica da narrativa. Fabio Shiva apresenta a banda de heavy metal Imago Mortis sob uma ótica inusitada, com direito a muitas situações bizarras e episódios hilariantes. O livro, que não se restringe aos fãs de rock pesado, faz também um apanhado das intensas transformações tecnológicas e sociais ocorridas no mundo ao longo das últimas duas décadas. Em sintonia com essas transformações, a nova edição revista e ampliada aproveita bastante as possibilidades do e-book, com a inserção de hiperlinks das músicas, livros, artistas e até localidades que são citadas no texto. Isso permite ao leitor acessar de forma muito mais vívida e direta os momentos e acontecimentos que são contados no livro. Além disso, o hipertexto propicia a cada leitor múltiplas alternativas de leitura. “Ao todo, o livro possui mais de 300 hiperlinks”, explica o autor, Fabio Shiva. “O mais interessante a respeito desses links é que eles existem como possibilidades. Estão lá, à disposição do leitor, que a cada link pode escolher acessar ou ignorar aquela possibilidade específica de hipertexto. Isso significa que existem centenas de maneiras diferentes de se ler o mesmo livro.” Um livro com várias camadas de informação é mais do que adequado para contar a história de uma banda que se destacou por inserir inúmeras referências e citações em suas músicas. No álbum “VIDA”, por exemplo, há uma faixa multimídia onde o jogador pode experimentar morrer de milhões de modos diferentes antes de ter uma pergunta respondida pelo milenar oráculo do I Ching. Esse jogo, inclusive, é um dos links inseridos no e-book.
Diário de um Imago - contos e causos de uma banda underground
Fabio Shiva
Edições (2)
Ver maisA história da banda Imago Mortis como pano de fundo para revoluções mundiais
No outro dia liguei a tevê bem na hora em que um bambambã da tecnologia afirmava ser impossível que os computadores um dia adquirissem consciência e se voltassem contra a humanidade: Os sistemas de computação estão sempre dando bug e precisando que alguém vá consertar, dizia o especialista, como se encerrasse o assunto. Confesso que fiquei bolado diante de tanta confiança da parte de alguém que faz parte do seleto grupo de pessoas diretamente responsáveis pelo avanço tecnológico em nossa sociedade. Em meu parco entendimento, uma máquina se rebelar contra o homem é algo que se encaixa perfeitamente na ideia que faço de um bug. Como que em confirmação aos meus temores, logo em seguida ganhou repercussão na Internet a afirmação de um engenheiro do Google (que foi afastado por conta disso), para quem a Inteligência Artificial da empresa tornou-se autoconsciente e possui até alma O que não dá para negar é que as transformações tecnológicas vêm acontecendo de forma cada vez mais rápida e intensa, afetando radicalmente a humanidade e até mesmo a maneira de nos relacionarmos uns com os outros. Essa foi a grande percepção que tive ao preparar a nova edição do livro DIÁRIO DE UM IMAGO: contos e causos de uma banda underground (https://www.amazon.com.br/dp/B07Z5CBTQ3), onde conto a história do Imago Mortis, banda de heavy metal em que participei desde o seu início, em meados da década de 1990, até pouco depois do lançamento do segundo CD, VIDA The Play of Change (https://youtu.be/1sUIUyCTLnk), ópera rock que está comemorando 20 anos em 2022. Ainda nessa linha da Inteligência Artificial, há outro exemplo gritante do quanto o mundo mudou em tão pouco tempo. Lembro de ter lido um artigo, provavelmente na saudosa Isaac Asimov Magazine(que circulou no Brasil entre 1990 e 1992 e da qual sou até hoje orgulhoso possuidor da coleção completa), afirmando que jamais haveria uma máquina capaz de vencer o homem no jogo do xadrez, devido à infinita capacidade criativa da espécie humana. Pois bem, poucos anos depois (em 1997 para ser exato) essa confiante afirmação foi retumbantemente desmentida pela derrota do então campeão mundial de xadrez Garry Kasparov para o computador Deep Blue. Hoje, 25 anos depois dessa simbólica e espetacular vitória da Inteligência Artificial sobre a Inteligência Humana, a capacidade de processamento dos computadores aumentou tanto que temos campeonatos de xadrez entre máquinas, onde os homens só podem participar como espectadores de boca aberta. Assustou-me o comentário de um especialista em xadrez, que recomendou que esses jogos entre computadores não fossem assistidos com muita frequência, pois isso faria os jogos entre seres humanos perderem completamente a graça Não menos impactantes foram as transformações ocorridas no mundo da música, que é o cenário principal de meu livro Diário de um Imago. O livro começa contando as peripécias que nós da banda passamos para gravar uma fita demo, segue contando outras aventuras para gravar o primeiro CD e até experimentações com o então recém lançado formato digital do mp3, que podia ser veiculado livre de um invólucro físico através da maravilha de nossa época: a Internet. Hoje a fita cassete, o CD e o mp3 fazem igualmente parte do passado remoto, e qualquer pessoa com acesso à Internet pode instantaneamente ouvir a música que quiser, escolhendo dentre todas as gravações já realizadas pela humanidade. Para alguém que chegou a vivenciar os encontros entre amigos para troca de sons, onde cada um ia com seus LPs favoritos debaixo do braço, essas são realmente mudanças profundas. Contudo e esse é o ponto principal do que estou tentando dizer aqui ao contrário do que seria de se esperar, hoje não temos uma humanidade que desfruta plenamente desse riquíssimo manancial musical que está à distância de um clique no Google ou no YouTube. Muito pelo contrário: em minha opinião, vivenciamos hoje (ao menos no Brasil) um terrível empobrecimento musical, com as pessoas consumindo quase que exclusivamente um subestilo financiado pelo agronegócio, um tipo de sonoridade que é raso e superficial na melhor das hipóteses. Sei que estou falando pouco ou nada sobre o livro que motivou essa resenha, mas sinto que preciso expressar as reflexões que foram suscitadas por essa nova leitura. Não se trata daquele papo de que os velhos tempos é que eram bons e de que agora nada presta. A constatação principal é até que meio óbvia (e talvez justamente por isso passe despercebida pela maioria): nunca antes, na história conhecida da humanidade, uma só geração passou por transformações tecnológicas tão profundas, que impactaram de forma tão abrupta a sociedade. Um outro exemplo se impõe: o advento das redes sociais e o modo como estão alterando a nossa própria percepção da realidade. O tema é por demais complexo para ser esgotado em um único livro, que dirá em uma modesta resenha. Mas vou pontuar aqui algumas constatações bastante perturbadoras (ao menos para mim) a partir de um único detalhe das redes sociais, que é a cultura do like ou da curtida. Creio que foi no documentário Privacidade Hackeada (https://youtu.be/wjXYCrxRWqc) que vi um dos engenheiros do Facebook dizendo que o objetivo inicial de implementar as curtidas era aumentar a positividade no mundo. Contudo essa tecnologia rapidamente decretou uma espécie de ditadura das curtidas em nossa sociedade, que tem como lei primordial: Recebo likes, logo existo. Há muitas consequências funestas disso, não sendo a menor delas a epidemia de depressão e vazio existencial, principalmente entre adolescentes. Mas há outras consequências ainda mais terríveis: sem perceber, fomos legitimando uma sociedade cujo valores e verdades são ditados pelos influencers, cujo principal (se não único) atributo é justamente o de terem muitas curtidas e seguidores em suas postagens. E o que há de tão terrível nisso? É que o critério de autoridade passou a ser o número de seguidores, simples assim. E da noite para o dia (pelo menos foi o que pareceu para mim) todos passaram a achar normal questionar fatos e evidências científicas com base apenas na opinião (desde que embasada por muitas curtidas). E pior ainda: a legitimação das Fake News, a partir do princípio muito básico de que damos mais atenção a notícias negativas (mesmo que mentirosas). E foi assim que, no decorrer de alguns poucos anos, temos uma verdadeira apoteose do ódio e da intolerância nas redes sociais, determinando a ascensão de nefastas ideologias Existe também, graças a Deus, um lado muito positivo nessas transformações todas. Enquanto eu escrevia a primeira versão do Diário de um Imago, dei-me conta do quanto minha adolescência e juventude foram vivenciadas em uma sociedade profundamente racista, machista, homofóbica e elitista. O mundo mudou tão rápido que muitas pessoas hoje ainda não aceitam o que é um fato consumado e tentam retornar (à força, se preciso) para um padrão mental coletivo que seja menos desafiador para elas, mesmo que à custa do sofrimento dos outros. Mas os reacionários podem se espernear o quanto quiserem: o novo sempre vem. Dentro do campo mais restrito de minha própria prática literária, constatei com muita felicidade uma dessas alterações propiciadas pela tecnologia. Nessa nova edição digital do livro Diário de um Imago, usei e abusei do recurso do hipertexto, inserindo links que possibilitam múltiplas leituras diferentes para cada leitor. Essa é uma inovação tecnológica muito bem-vinda, que pretendo aproveitar em meus futuros escritos. Como eu dizia sempre, nos meus tempos de Imago Mortis: Mutatis Mutandis (mudando o que deve ser mudado) Assim seja! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2022/06/a-historia-da-banda-imago-mortis-como.html
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