Este, além de ser sobre romance, é um livro sobre o tempo. Sobre como ele passa e ficamos para trás, mas os momentos especiais e importantes para nós continuam lá, congelados em pequenas constelações que formam nossas vidas.
A escrita da autora é tocante, e mesmo que este não seja meu primeiro contato com ela, Nosotros en la luna, outro livro de Alice Kellen, foi a minha melhor leitura de 2021, então não podia esperar mais nada dela além de fluidez e capacidade de comover.
Ao decorrer da história — e dos anos, querendo ou não —, nos apegamos a Gabriel e Valentina de uma forma quase inimaginável, considerando que o livro tem menos de 300 páginas. Porém esse é um sentimento que se torna natural, já que acompanhamos a vida dos dois como casal e também como seres humanos, de certa forma.
Acho que é praticamente impossível não se identificar em diversos momentos com situações vividas ao longo da história, e até mesmo tirar ensinamentos delas, como saber lidar com o tempo, com a solidão, e percebi como é bonito e ao mesmo tempo triste ter um casamento longo e uma vida baseada na convivência com outra pessoa.
Entendi um pouquinho meus avós, o carinho e o comprometimento que permeava o casamento deles, e o quanto isso é raro e precioso nos dias de hoje. Mesmo que seja doloroso quando se percebe que se está só novamente, depois de tanto tempo.
Não há um plot twist surpreendente e que nos faça ficar de boca aberta, até porque, nas primeiras páginas já se percebe o que pode ter acontecido, e isso só se confirma ao longo do livro.
Enfim, uma experiência de leitura incrível, que me fez perceber muitas coisas ao meu redor sobre família e sobre tempo, e que só me fez ficar mais apaixonada pela autora e por sua escrita. Essa foi uma ótima leitura para começar o ano!
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