Lutar contra a pobreza -

    Esther Duflo

    Zahar
    2022
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9786559790623
    Português Brasileiro

    Publicado originalmente em dois volumes, este livro surgiu a partir de quatro aulas ministradas no Collège de France, nas quais Esther Duflo apresentou pela primeira vez o resultado de suas pesquisas para a redução da pobreza – um trabalho inovador que, mais tarde, a levaria a ser contemplada com o prêmio Nobel de economia. No primeiro volume da obra de Esther Duflo, unificada nesta edição, a autora avalia concretamente os programas de luta contra a pobreza, apoiando-se num método revolucionário: a experimentação aleatória. Da Índia ao Malawi, do Quênia ao México, é o uso dessas avaliações "randomizadas" que pode trazer respostas a várias questões: como tornar mais eficazes as campanhas de vacinação? Como melhorar a instrução das crianças a um custo menor? Como enfrentar o absentismo de professores e enfermeiras? No segundo volume, ela derruba o slogan de inúmeros agentes nacionais e internacionais: "Devolvam aos pobres a luta contra a pobreza!" Estudando a situação in loco, Duflo demonstra as ingenuidades de um discurso que procura apostar tudo na iniciativa dos pobres – afinal, nenhuma solução pode prescindir de políticas públicas para criar serviços de saúde, garantir a educação, construir infraestruturas, combater a corrupção. Um registro lúcido, didático e envolvente do pensamento de uma das maiores referências atuais na luta contra a pobreza e a desigualdade.

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    Gabriel Noronha27/02/2026Resenhou um livro

    Em Lutar Contra a Pobreza, Esther Duflo propõe uma mudança importante na forma como pensamos a pobreza. Em vez de explicá-la apenas por grandes fatores macro, como colonização, sistemas políticos ou modelos econômicos, a autora convida o leitor a olhar para o nível micro, para as decisões concretas dos pobres, seus incentivos, limitações e aspirações. Ao fazer isso, o livro rompe com a visão dos pobres como um grupo homogêneo, passivo ou incapaz de tomar decisões racionais. Ao longo da obra, Duflo questiona por que pessoas em situação de pobreza tomam decisões que, à primeira vista, parecem irracionais ou equivocadas. Exemplos como o fato de que indivíduos com fome crônica nem sempre aumentam o consumo de calorias quando sua renda cresce, ou de que a simples ampliação do acesso a métodos contraceptivos não reduz automaticamente a natalidade, mostram que essas escolhas fazem sentido quando analisadas a partir das condições reais em que essas pessoas vivem. O livro deixa claro que essas decisões são racionais dentro de um contexto marcado por riscos, incertezas, custos psicológicos e restrições severas. A principal reflexão que emerge é que o fracasso no combate à pobreza está menos ligado a falhas individuais e mais ao desenho inadequado das políticas públicas. Muitas políticas são formuladas por burocratas bem-intencionados, mas desconectados das vontades e prioridades dos pobres. Pequenas mudanças nos incentivos e na forma como políticas são implementadas podem, portanto, ter efeitos profundos e duradouros. Nesse sentido, a pobreza aparece menos como um problema de falta de esforço e mais como um problema de escolhas moldadas por ambientes adversos.

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