O primeiro romance de Mário Bortolotto pode ser descrito como uma verdadeira "pulp fiction", a começar pelo próprio projeto gráfico. Essa edição original, verdadeira relíquia garimpada em sebo, tem todo o charme do formato de bolso e das páginas amareladas de textura fininha, quase um papel-jornal.
Com doses elevadíssimas de violência, o livro conta a história de Caio, um homem que embarca numa jornada sanguinolenta pelo submundo após o assassinato de sua mãe. Recheado de humor negro, o romance tem aquela vibe típica de filme B, como os famigerados "Desejo de Matar" estrelados pelo saudoso Charles Bronson. O estilo "bronco" do narrador conquista o leitor logo de cara, sendo impossível não torcer pelo anti-herói principal.
Com diálogos espirituosos, ágeis e repletos de sacadas geniais, "Mamãe Não Voltou do Supermercado" é um livro que teria tudo para virar um ótimo filme nacional (inacreditável que ninguém ainda tenha tido a coragem de levar essa ideia adiante).
"Eu queria ter grana para comer uma daquelas. Você comeu de graça. Demais. A vingança da periferia. Vem cá, Caio, como ela é na cama?
"Não faço a menor ideia. Comi ela de pé".