Diatribe de amor contra um homem sentado -

    Gabriel García Márquez

    Editora Record
    2022
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9786555874655
    Português Brasileiro

    Publicada originalmente em 1987 e inédita no Brasil, Diatribe de amor contra um homem sentado é a única peça escrita por Gabriel García Márquez. É o relato íntimo e sincero de uma mulher prestes a completar 25 anos de casada. “Nada se parece tanto com o inferno como um casamento feliz!” Assim começa Graciela Jaraiz de la Vera – esposa de um homem acomodado, neto de um marquês – às vésperas das bodas de prata de seu casamento. Assim começa seu monólogo, seu diálogo frustrado sobre a felicidade pública e a infelicidade íntima, sobre o paralelo entre a ascensão social e o crescimento do desgosto. Graciela se dirige ao marido, mas ele nada diz, limita-se a ficar sentado de terno escuro na poltrona lendo o jornal. Na verdade, de acordo com García Márquez, trata-se de um manequim, um objeto sobre o qual ela projeta o desencanto de uma vida marcada pela perda: da confiança nele, do respeito por ele, do valor de seus sentimentos por ele. Tudo para descobrir que, apesar de seus rancores, ela não consegue deixar de amá-lo. Inédito no Brasil, Diatribe de amor contra um homem sentado é um monólogo em um ato para uma única atriz, a única peça escrita por Gabriel García Márquez. Encenada pela primeira vez em Buenos Aires, em 1988, no IV Festival Ibero-Americano de Teatro, este livro é um texto curto, mas de inigualável profundidade. União do trágico e do satírico, ele é a reconstrução de uma vida a dois, o retrato de uma mulher prisioneira de um amor que sabe não ter como compartilhar. “O certo é que a felicidade não é como dizem, que só dura um instante, e a gente só fica sabendo que teve quando ela já se acabou. A verdade é que ela dura enquanto dura o amor, porque com amor até morrer é bom.” “Um autêntico original de García Márquez, poético, sentencioso, transbordando prazeres terrenos.” – El País

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    Flávia19/01/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    💔… SEM SABER QUE O PARA SEMPRE, SEMPRE ACABA.

    “Diatribe de amor contra um homem sentado”, publicada originalmente em 1987, e que permanecia inédita no Brasil até a sua publicação tardia em 2022, é a única peça escrita pelo escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano Gabriel José García Márquez, carinhosamente chamado pelos seus fãs por Gabo, um dos autores mais importantes do século XX. Nesse relato sincero e íntimo de uma mulher prestes a completar 25 anos de casamento, Gabo nos coloca na primeira fila do teatro, para que de lá possamos ver cada mudança de cenário, cada troca de figurino, e possamos ouvir cada um dos pequenos detalhes de uma sonoplastia escolhida cuidadosamente para trazer ainda mais drama aos dissabores de uma mulher que (ironicamente!) se vê diante de uma comemoração tão importante de um relacionamento já falido. Através dessa única voz, feminina, intensa, magoada, Graciela vai de uma única vez expondo cada uma das suas dores e humilhações, nesse monólogo angustiado, cujas mudanças de entonação vão falando diretamente com aquele que lê, como se estivéssemos mesmo na plateia, percebendo como ela se move aborrecida por entre um cenário que ora é passado, ora é presente, até chegar ao seu momento derradeiro, onde emocionados a aplaudimos de pé, numa ovação que não quer ter fim, mas que acaba por ter, quando as cortinas se fecham. Bom...pelo menos eu realmente aplaudi, até porque essa foi uma leitura muito além de uma história sendo contada. É essa dor provocada por uma trama que ninguém gostaria de protagonizar, mas que contada como uma peça teatral, nos lembra que tudo não passa de uma ficção, nos permitindo chegar ao final mais fascinados do que chocados. Eu ainda não tinha tido nenhum contado com uma obra desse autor, e confesso que essa experiência, apesar de tão curta, me deixou sem palavras, e completamente em êxtase. Tenho até plena certeza de que um dia, ainda voltarei a reler essa história, porque essa é uma escrita que nos reporta ao magnetismo das encenações teatrais, onde cada entonação, cada figurino usado é escolhido para que também nós possamos nos sentir parte dessa vida que observamos tão atentamente, como se estivéssemos olhando pela janela para dentro da casa de alguém. Para aquele universo secreto da intimidade que é velada, porque muito diferente dos contos de fadas, nem sempre os felizes para sempre serão para sempre felizes. Ler esse livro me lembrou o mesmo deslumbramento que eu senti lendo “Evidência de uma Traição”, onde a minha autora favorita da atualidade, Taylor Jenkins Reid, conta uma história apenas através de uma troca de cartas entre dois personagens. É fascinante ver como esses escritores são capazes de dizer tudo, de uma forma tão diferente, e com essa magia poética que me deixa tão maravilhada (e boquiaberta!). Não há muito mais o que dizer sobre uma obra que precisa ser lida com entrega e muito respeito a uma maestria tão bela, trazida pelas mãos sábias de um homem que, em uma primeira tentativa, compõe uma peça com tamanha genialidade que me deixou completamente sem palavras. E já que me faltam formas para expressar tudo o que sinto ao final dessa leitura, eu deixo aqui um dos mais belos quotes dessa obra, para (quem sabe?) te deixar também com esse gostinho de querer conhecer essa aventura desse gênio latino da literatura moderna: “Você viu que eu enfrento bem os desastres irreparáveis da intimidade. Bom, eu desafiaria de novo tudo isso, até com grande alegria, só para te ajudar a envelhecer”.

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