Meu primeiro contato com a autora trouxe momentos de reflexão e de sentimentalismo. Não de um sentimentalismo conjugal, mas sobre aquelas questões íntimas que, em geral, são desconfortáveis: o que estou fazendo da vida? Realmente estou vivendo, ou seguindo minhas próprias coordenadas sobre o que deve ou não deve ser feito?
Apesar de passagens interessantes, poéticas, o livro todo é marcado pela passividade de Fuyuko. Uma mulher de 34 anos, mas que parece ter 20. Parece também ser neurodivergente, embora isso não seja mencionado em nenhum momento - e eu também não seja nenhuma psicóloga.
A história, sem grandes acontecimentos, são os pensamentos e os acontecimentos cotidianos da vida de Fuyuko. Suas poucas relações sociais, seu trabalho, e o desenvolvimento de sua paixão por um homem mais velho.
Sua incapacidade de lidar com as outras pessoas e principalmente em ter um rumo na vida à partir da necessária tomada de decisões é um pouco cansativa. Passei o livro inteiro com dó da protagonista, que vive presa em uma solidão que criou sozinha e da qual não sabe sair. Bonito, sensível, mas acho que meu contato com a escritora vai terminar aqui.
“Had I ever chosen anything? Had I made some kind of choice that led me here? Thinking it over, I stared at the cell phone in my hands. The job that I was doing, the place where I was living, the fact that I was all alone and had no one to talk to. Could these have been the result of some decision that I'd made?”