O livro de John Updike é excelente. Fala de como as mulheres precisam sobreviver se tiverem que arcar com suas escolhas. Escolhas essas que não estão restritas à tríade "marido-casa-filhos". As chamadas bruxas de Eastwick são três moradoras dessa pacata cidadezinha litorânea da costa leste americana que não se contentam com o papel que a natureza e a sociedade lhes reservou. São as divorciadas Jane, Sukie e Alexandra que são unidas na prática da magia (uma forma de matar o tempo que passa mais devagar em Eastwick) e no quesito avaliação dos homens. Quem viu o filme (como eu) deve tratar de esquecê-lo (o que é difícil). Impossível não pensar em Cher ao ler a descrição de Alexandra, considerada a mestra do trio de feiticeiras. Mas, cinema é outra plataforma, estamos no terreno da leitura, de onde veio a história original. Updike, às vezes, descreve com muitas minúcias desnecessárias. Mas, o legal é que ele encadeia a narração com o fluxo de pensamento de cada bruxa. Algo impossível de se sentir numa tela de cinema. Bem, o que você vai ler em sua maior parte não tem nada a ver com a adaptação para as telas, com o Jack Nicholson no papel do forasteiro misterioso de Nova Iorque que chega para apimentar mais a convivência de Sukie, Jane e Alexandra e os feitiços que elas adoram experimentar. A história é também um tapa na cara da hipocrisia norte-americana, que sempre acha que o mundo será um lugar melhor se todos... forem americanos. No final das contas, as bruxas nos ensinam que o melhor mesmo é não ter medo de ser o que se é. Vale a pena mexer nesse caldeirão.