Menalton Braff é um fotógrafo. Porém, diferente dos demais profissionais dessa área, ele troca todo o aparato técnico para utilizar apenas uma ferramenta: a palavra. Seus contos são registros de breves momentos. E é nessa vida abreviada que o autor consegue esmiuçar a história não contada. Abrir o seu livro é como abrir uma janela pelo lado de fora, sem pedir licença, e observar o instante interno, na sugestão do que perdemos e na invenção do que poderia vir após a última frase.
Seus personagens estão sempre no limiar de uma decisão. Nesse sentido, cada narrativa elabora as possibilidades que fazer ou deixar de fazer algo podem ocasionar. É a própria cena como protagonista, envolvendo seus participantes nessa ideia coadjuvante que o espaço nos causa. Os objetos, os móveis e os pertences exercem uma força silenciosa em cada situação.
No próprio título, À Sombra do Cipreste, temos essa interferência apresentada. Aqui, uma família, sob a reflexão de sua matriarca, é condicionada ao sombrear que essa árvore centenária causa dentro de sua casa. Usando-se dessa sombra, derramada no piso, Menalton Braff instiga no leitor o conceito de tempo, sobretudo esse tempo da natureza, que tanto nos torna mera e perecível figuração da vida. E sem que a gente perceba.
Como todo bom fotógrafo, o autor traz para o seu trabalho uma coleção de imagens instigantes. Um texto robusto e preenchido pela palavra na sua melhor forma. Cada linha convida à releitura, numa tentativa de também fotografarmos a beleza desse livro em nossas mentes.