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    Saboroso cadáver -

    Agustina Bazterrica

    DarkSide Books
    2022
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9786555981889
    Português Brasileiro
    3.6
    20160 avaliações
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    Favoritos1051Desejados20261Avaliaram20160

    O banquete mais sinistro de todos os tempos Diz o antigo ditado que “Você é o que você come”. No romance Saboroso Cadáver, de Agustina Bazterrica, esse ditado é levado às últimas consequências. O livro conta a história de um vírus que se espalha entre os animais de todo o planeta e torna sua carne mortal aos humanos. Impossibilitados de utilizar os animais para a alimentação, a sociedade regulariza a criação e a reprodução de seres humanos como animais de abate, transformando o mundo num lugar cinzento, cínico e inóspito. Nesse romance visceral, grotesco, repleto de descrições vívidas e nauseantes capaz de nos alimentar na medida certa, vamos acompanhar a rotina de Marcos Tejo, funcionário do frigorífico Krieg,, que recebe de presente uma mulher viva, considerada “carne de primeira”. Ironicamente, esse funcionário parece ser o mais humano nesse mundo terrível. Seguindo seus passos, presenciamos o processo metódico da criação de pessoas, abates, experimentos de laboratório, caçadas humanas e suntuosos jantares canibais. Publicado originalmente em 2017, Saboroso Cadáver ganhou o Prêmio Clarín Novela naquele mesmo ano, na Argentina. Três anos depois, a tradução americana do livro recebeu o Ladies of Horror Fiction Award como melhor romance de 2020. Além disso, de acordo com o jornal Washington Post, foi um dos melhores lançamentos de horror, ficção científica e fantasia de 2020, ao lado de Temporada de Caça, de Stephen Graham Jones. Uma das pessoas que participaram da seleção foi ninguém menos que Silvia Moreno-Garcia, autora de Gótico Mexicano (DarkSide® Books, 2021), sucesso entre os darksiders. Bazterrica afirmou que “escrever é uma experiência feroz e minha intenção é tirar o leitor dessa letargia em que vivemos e em que, muitas vezes, a violência é naturalizada”. Distopia arrepiante, Saboroso Cadáver imagina um mundo em que a violência e o canibalismo são de fato naturalizados, embora ainda haja espaço para a compaixão, a solidariedade e o cuidado com os outros, enquanto a batalha pela sobrevivência se torna uma aventura de desfecho incerto. Com seu romance marcante e poderoso, Bazterrica nos coloca dentro de um pesadelo em que o canibalismo se legitima na maior parte do mundo e a sociedade fica dividida entre aqueles que comem e aqueles que são comidos. Haveria caminhos para a humanidade, quando os corpos dos mortos são cremados para evitar que sejam devorados? Quais as relações passíveis de serem forjadas, quando na verdade somos o que comemos? Saboroso Cadáver é um prato raro, uma iguaria literária impiedosa, alegórica e realista, agridoce e suculenta, capaz de alimentar de ternura os corações literários que ainda pulsam diante da beleza do horror.

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    Queria Estar Lendo21/05/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resenha: Saboroso Cadáver

    Saboroso Cadáver - da tradução em inglês, "Tender is the Flesh" - foi uma leitura desafiadora e tenebrosa. Lançado aqui pela Editora Darkside, que cedeu este exemplar em cortesia, esse horror distópico foi escrito por uma autora argentina. E fala sobre um futuro onde o consumo de carne humana passou a ser permitido por lei. Na história, acompanhamos Marcos, cuja carreira segue o ramo do abate de humanos. Neste futuro, um vírus cobriu todos os animais do mundo e tornou suas carnes mortais para a humanidade; a partir daí, os governos resolveram liberar o consumo de carne humana de maneira "organizada", e se construiu um mundo onde imigrantes, moradores de ruas, classes sociais mais baixas e outros subjugados pela sociedade passaram a ser tratados como pedaços de carne. Não mais humanos, meros produtos para que a vida possa prosseguir a partir deles. Deixo aqui o aviso de conteúdo de que Saboroso Cadáver é um livro perturbador. Ele foi feito para isso. É uma distopia que discute consumo e a presença constante da indústria agro ditando o ritmo do mundo, fazendo um paralelo nesse futuro terrível; ela não é uma história sobre revolução, sobre crescimento, sobre rebeldia. É uma história nua e crua sobre o pior da humanidade. Tem gatilhos de canibalismo, violência extrema, gore, estupro, menções a pedofilia, crueldade animal e outras temáticas carregadas. Leia apenas se tiver estômago e cabeça para lidar com os temas que ela critica. O livro de Agustina Bazterrica já começa com um soco na cara, que é justamente para ditar o peso da trama. Marcos vai até o abatedouro, e sua visão nos apresenta o local onde trabalha, onde as peças de carne - porque jamais são tratados ou chamados de humanos, para evitar a humanização e, consequentemente, o peso da culpa - são tratadas. Desde o abate até a distribuição. O trabalho de Marcos é lidar com diferentes tipos de problemas naquele ramo, e ele é bom no que faz. Marcos é um protagonista vazio. Diferente daquele que acompanhamos em 1984, de George Orwell, não é possível torcer por Marcos; não tem humanidade dele, assim como não há humanidade no resto do mundo. O que eles se tornaram a partir do momento em que os governos tornaram legal o canibalismo é uma sombra de crueldade disfarçada de sobrevivência. Marcos está sozinho em casa, desde que a esposa se mudou, perturbada pelo luto com a morte do filho pequeno. Distante de tudo e de todos, com apenas a sua mente o acompanhando, é possível sentir que muito do que Marcos era já se foi. Ou, vai ver, ele sempre foi assim. Parte da sombra que é esse novo mundo. No começo, não tão abertamente cruel quanto outros personagens, como donos de indústrias que veem o lucro acima de qualquer coisa, como caçadores que finalmente podem aproveitar seu sadismo de acordo com a lei. Mas é um personagem vazio de reação. Tão desprezível quanto o mundo ao seu redor por isso. Quando ele recebe o "presente", uma humana que foi criada para abate, para fazer com ela o que quiser, ele entra em conflito. Um conflito perturbado, abusivo, nojento. Não dá para lê-lo com empatia; não dá para sentir por Marcos nada além do horror que sentimos pelo resto do mundo. Saboroso Cadáver - "Tender is the Flesh", da tradução em inglês - é sim uma história perturbadora, mas é também uma história que te coloca para pensar. E muito. Os paralelos dessa sociedade canibal com a nossa, com o consumo desenfreado de carne, é assombrosamente verdadeiro; é impossível não substituir as pessoas nas fábricas de carne por bichos sentenciados ao mesmo tipo de des-vida (porque não dá para chamar criação para abate de qualquer coisa além disso). É desumano, e é ainda mais macabra a maneira com que eles tratam essa situação. Como eu disse, os governos clamam que é pura sobrevivência, mas será mesmo? Com os ricos caçando humanos por esporte? Com as carnes sendo produzidas a partir de imigrantes, classes mais baixas, pessoas criadas desde a infância para servir a mesa da família com mais dinheiro para pagar por ela? Não seria mais fácil substituir a carne por outros alimentos, como qualquer pessoa vegana e vegetariana faz? Por que a indústria agro não parou, por que os governos permitiram que tamanho massacre fosse normalizado? São questões que permeiam a história e a nossa cabeça conforme a trama se desenvolve, e ficam com a gente com o fim. E que fim. Se você espera revoluções ou uma pontinha de esperança, esse não é o livro; como eu disse, ninguém aqui é decente. Os poucos que são, desapareceram do radar por isso. Esse é um mundo que achou tudo bem, em prol da "sobrevivência", comer outras pessoas. Esse é um mundo perverso. Saboroso Cadáver tem capítulos são curtos, então não enrosca em momento algum. E é simplesmente impossível parar de ler, porque você quer entender, quer saber o que vai acontecer. Quando chega ao fim, fica com uma sensação pesada no estômago. A edição da Darkside ficou linda. Macabra, como o próprio selo diz. Gostei demais da folha de guarda, dos detalhes da diagramação, e da adaptação da capa. Ficou tenebrosa, como a história de Saboroso Cadáver pede. A tradução é de Ayelén Medail, e achei excelente. Porque o mundo de Saboroso Cadáver não é um que pode ser salvo ou resgatado. Eles já atingiram o fundo do poço, e dali só podem cavar mais para baixo.

    754 curtidas

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    • 1 estrelas5%
    Agustina Bazterrica profile picture

    Agustina Bazterrica

    Agustina Bazterrica nasceu em Buenos Aires em 1974. É formada em Artes pela Universidad de Buenos Aires (UBA). Em 2013 publicou o romance Matar a la Niña, e em 2016, o volume de contos Antes del encuentro feroz (reeditado em 2020 como Diecinueve Garras y un pájaro oscuro). Saboroso Cadáver ganhou o Prêmio Clarín Novela 2017 e o Ladies of Horror Fiction Award como melhor romance de 2020. Bazterrica é organizadora e curadora cultural, trabalhando com Pamela Terlizzi Prina no Ciclo de Arte “Siga al Conejo Blanco” (www.sigaalconejoblanco.com) e coordena oficinas de leitura com Agustina Caride. Saiba mais em agustinabazterrica.net.

    12 Livros
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    Agustina Bazterrica