Leitura importante para que a gente possa começar a entender os conflitos entre Palestina e Israel. Ilan Pappe é historiador israelense e sabe o que está falando, uma vez que pesquisa a fundo a história da região. Tem 15 livros publicados sobre a questão palestina.
Este, embora tenha sido lançado no Brasil em 2022, foi originalmente publicado em 2017, antes, portanto, dos últimos conflitos. Dois prefácios do autor ajudam a nos atualizar e nos aproximar, especialmente o segundo, escrito em 2021 para a edição brasileira.
Todas as fontes aqui são citadas, então é possível verificar as afirmações do autor. O livro é dividido em três partes: As Falácias do Passado, As Falácias do Presente e Olhando para o Futuro.
Cada parte aborda uma série de frases constantemente usadas e que ele chama de mitos, e que vai questionar e desconstruir ao longo do livro, com argumentos fortes e dados concretos. Um capítulo para cada uma dessas frases.
Sobre o passado: A Palestina era uma terra vazia? Os judeus eram um povo sem terra? Sionismo é judaísmo? Sionismo não é colonialismo? Os palestinos saíram voluntariamente em 1948? A Guerra de 1967 foi inevitável?
Sobre o presente: Israel é a única democracia no Oriente Médio? O que de fato representa o Tratado de Oslo? O que de fato é a região de Gaza?
Sobre o futuro: a solução de dois Estados é o caminho?
Por causa do formato adotado e da abordagem a partir dos mitos, a narrativa é um pouco repetitiva quando está falando de história, indo e voltando no tempo algumas vezes. Sugiro que a leitura seja feita acompanhando a linha do tempo que consta no final da edição, porque ela pode ajudar. Anotar, grifar e pesquisar também são importantes. É o tipo de livro que, embora tenha linguagem fácil e fluida, precisa de leitura profunda, porque são muitas informações e todas tratam de um assunto pouco e mal discutido no Brasil.
Leia sem medo, mas sem pressa e de forma aberta, porque assim essa leitura tem muito a contribuir. Mesmo que você não chegue, ao final, às mesmas conclusões do autor, tudo bem, mas não pode negar as evidências, porque elas estão aqui apontadas de forma gritante.