Pedra Bonita -

    José Lins do Rego

    Global
    2022
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9786556122557
    Português Brasileiro

    Publicado pela primeira vez em 1938, 6 anos após o lançamento de Menino de engenho (sua obra de estreia), Pedra Bonita dá início ao que ficou conhecido como o “Ciclo do Cangaço” nas narrativas de José Lins do Rego. Se nas obras que compõem o “Ciclo da Cana-de-Açúcar” (Menino de engenho, Doidinho, Banguê, Usina e Fogo morto) Zé Lins mostrou um Brasil em transição e declínio, com o fim dos engenhos de açúcar tradicionais e a chegada das máquinas, aqui ele explora um Nordeste profundamente marcado pela seca e pelo movimento do cangaço, no qual o próprio presenciou no começo da sua infância. Para isso, ele usa os mesmos recursos narrativos e explora personagens complexos, que são sempre profundamente marcados pelo pano de fundo social no qual estão inseridos. O protagonista da obra é Antônio Bento, também conhecido como Bentinho, uma criança que, por causa da seca, é deixado pela mãe aos cuidados do tio, o padre Amâncio. Os dois vivem na Vila do Açu, que fica bem próximo a Pedra Bonita, lugar onde ele nasceu. Tentando passar um pouco dos seus ensinamentos para o sobrinho, Amâncio coloca Bentinho em um seminário, onde ele acaba sendo mal visto por causa do local do seu nascimento e envolvimento do seu irmão no cangaço. Assim, Bentinho tem que decidir seguir os ensinamentos do seu tio e aguentar as implicâncias da vila, ou seguir os passos do irmão. Com uma história que fala sobre amadurecer, achar seu lugar no mundo e lidar com preconceitos, sempre com um forte teor histórico e social, Pedra Bonita reforça o melhor de José Lins do Rego: consciente, imersivo e complexo. A ilustração da capa é de Mauricio Negro, e o texto de apresentação é da jornalista e escritora Adriana Negreiros, autora de Maria Bonita: sexo, violência e mulheres no cangaço (Objetiva, 2018) e A vida nunca mais será a mesma: cultura da violência e estupro no Brasil (Objetiva, 2021).

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    Katia Rodrigues14/03/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "O caminhar do sertão era aquele, monótono"

    Meu primeiro contato com José Lins do Rego não poderia ter sido melhor. O livro me soou um tanto quanto estranho e lento no começo, mas aos poucos as descrições acuradas da vida cotidiana sertaneja foram ganhando meu afeto. E acabei por perceber a importância dessa lentidão na narrativa que tanto serve para aclimatar o leitor como serve de espelho para vida rural, sertaneja. Ao longo do romance, o autor explora a questão do fanatismo religioso, passando pela formação de uma identidade social brasileira e por uma busca de valorização das raízes humanas perdidas no tempo. Essa tentativa de construir uma visão nacionalista, característica dos romances regionalistas, ganha ares de documento sociológico da verdade humana. Outro aspecto marcante do livro é a escrita arrebatadora do romancista: “Povo e terra viviam ali há um século numa intimidade profunda. Mas sem se quererem, inimigos íntimos". Reitero a fala do crítico Otto Maria Carpeaux quando diz que a obra de José Lins do Rego “é qualquer coisa de vivo”. Ig: @ingrisias

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