2.8
CONTÉM SPOILER
O livro não é de todo ruim. A questão foi o insuflar de páginas. Não sei se era exigência da editora ou se a autora se empolgou e esqueceu que menos é sempre mais.
A premissa do livro, apesar de não ser original, é chamativa. Os personagens interessantes. Gostei dos criados intrometidos, da Maddie "corvo velho" sem papas na língua, do cabeça oca do Edmund e me apaixonei pelo amigo do Alec, o enigmático Duque de Wexford . O problema foi a "encheção de linguiça".
Igual aqueles churrasco que deixam a pessoa roxa de fome, só para entupir todos com linguiça e quando finalmente vem a alcatra e a picanha quase ninguém tem mais estômago? Pois é...
Ainda que fosse assim, porém chegou a um ponto que passei mal com essa "encheção de linguiça".
Como o livro já começa em ação, a autora procurou que o leitor logo simpatizasse com a mocinha e a colocou no pedestal como um anjo de bondade caritativa. Isso funcionaria se o livro tivesse umas 130 páginas. A história ficarina redondinha e muito boa, com tudo encaixadinho.
Entretanto, temos aí 220 páginas que conseguiram transformar a virtude da protagonista num gravíssimo defeito de caráter. Isso porque, em minha opinião, quando a bondade demonstrada para com alheios cegam o benfeitor a ponto de ignorar totalmente aos que estão a seu redor, sem se preocupar com as consequências que seus atos possam ter para com os demais; mesmo quando avisado que está a beira do precipício e levará consigo todos à ruína... Isso, para mim, é o mais puro e simples egoísmo.
Em contra partida, o mocinho alcunhado de Diabo Hunterston, foi simplesmente perfeito. Até me perguntei se autora não errou sobre que personagem mereceria essa alcunha.
Pois, a mocinha, achando que sua contribuição na desgraça foi pouca, ainda resolveu fazer uma ceninha com o primo vilão colaborador da calamidade.
Dançou, bateu o maior papo e ainda aceitou uma bebidinha batizada.
Ah sim! Sim, ela já sabia que ele era um participante ativo na ruína.
Isso me tirou do sério e pela primeira vez, em minha vida literária, se o mocinho procurasse consolo nos braços de outra, eu não o recriminaria e ainda ofereceria toda minha compreensão.
Pois, a Julia merecia ter seu coração estilhaçado em pedacinhos para enxergar o óbvio diante de seus olhos tão míopes como seu caráter.
Mas, obviamente, como o mocinho perfeito, lá foi ele tirar a doida da encrenca que se meteu e aí como já esperávamos tudo terminou praticamente bem. Algumas contusões, mas nada que uma pistola, um bom aperto de mão e uma compra milionária não resolvesse.
Resumindo... deu pra notar o estrago que faz uma encheção de linguiça, né?