Graciliano Ramos, mestre da literatura brasileira, publicou em 1944 essa coletânea de contos que transporta o leitor diretamente para o sertão nordestino, através das aventuras e causos do protagonista.
Alexandre é um homem simples, vivido e com uma habilidade singular para narrar histórias. Histórias verdadeiras! Ai de quem duvidar da veracidade delas.
Em uma das histórias, Alexandre, viajando pelo sertão, dorme ao relento. De manhã acorda sonolento e pega as botas. Quando calça a segunda percebe que ela não tem fundo e vai até ao alto da coxa. Os amigos olham espantados, e só então Alexandre percebe que pegou uma jibóia, enfiou o pé pela boca da infeliz e foi puxando como se fosse a bota. São assim as histórias contadas nesse livro.
O livro me trouxe uma recordação. Vez ou outra passávamos finais de semana no sítio do meu avô, lá no início dos anos 1980. Sem energia elétrica, iluminados pelo lampião, vendo milhares de vagalumes apagando e acendendo, passávamos parte da noite conversando, comendo broa de milho e ouvindo causos. Muitos absurdos. Parecidos com os do Alexandre. Tem até um que minha saudosa avó contava sobre um lobisomem que ela viu. Mas isso fica para outro dia.
Alexandre tem uma plateia fixa. A esposa Cesária, a afilhada Das Dores, seu Firmindo, seu Libório, mestre Gaudêncio. Todos se reúnem em volta do narrador para ouvir sua histórias. Pegue um tamborete, aconchegue-se e divirta-se também.
Boa leitura.