Antologia comentada da poesia brasileira no século 21 -

    Manuel da Costa Pinto

    Publifolha
    2006
    382 páginas
    12h 44m
    ISBN-10: 8574027200
    Português Brasileiro

    'Antologia Comentada da Poesia Brasileira no Século 21' reúne 205 poemas, de 70 poetas, todos ativos de 2000 para cá. É um panorama da poesia contemporânea de todos os gêneros, selecionada e comentada por Manuel da Costa Pinto, colunista da Folha de S.Paulo. O livro traz poetas como Arnaldo Antunes, João Bandeira, Augusto e Haroldo de Campos, Chacal, Eucanaã Ferraz, Heitor Ferraz Mello, Ferreira Gullar, Augusto Massi, Glauco Mattoso, Tarso de Melo, Fernando Paixão, Roberto Piva, Adélia Prado, Waly Salomão, Sebastião Uchoa Leite, Caetano Veloso, entre outros.

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    Eduardo Vilar picture
    Eduardo Vilar14/08/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Folheei essa antologia durante uns bons anos e agora na quarentena resolvi fazer uma leitura mais esmiuçada desse livro. O resultado parece confirmar a impressão geral que eu tinha: tem muitos poemas ótimos ali e muitos poemas chatos (claro, segundo o meu gosto). Em geral os poemas não causam impressão de amadorismo, parecem ser bons escritores dentro das vertentes em que escrevem. Tem muita influência de Modernismo, de Concretismo e da Geração Mimeógrafo, além de uma série de escritores que, por falta de nome melhor, eu agrupei mentalmente como influenciados pelo pensamento pós-estruturalista. Dentro dessa variedade, confesso que boa parte dos poemas de versos curtos e de musicalidade dura dificilmente me agradaram. Gosto dos que, de alguma forma, ainda buscam musicalidade mais fluida, seja uma mais clássica, seja aquela mais ligada à linguagem coloquial. A citação de Sérgio Millet que abre a apresentação do livro é bastante significativa: "A compreensão do fenômeno artístico não implica a aprovação irrestrita dos resultados". É uma antologia que busca realizar um panorama, parece convidar o leitor a estudar ou "compreender" o lugar dos poemas e poetas no cenário da poesia contemporânea da época. Os comentários do organizador ajudam bastante a leitura. Por outro lado, é uma antologia com uma outra relação com o prazer de ler do que, por exemplo, a mais recente de poesia contemporânea organizada pela Adriana Calcanhoto, da Companhia das Letras. Na comparação entre as duas antologias percebem-se pontos positivos e negativos de cada proposta. Ajuda muito a leitura ter claro qual é o tipo de antologia que o Costa Pinto se propõe a realizar aqui. Não é organizada pelo gosto do autor, mas pelo que ele considera representativo da poesia brasileira e da obra de cada autor. Grande parte dos poemas da antologia parecem encontrar seu valor nas experimentações formais e nas referências intertextuais a tradições literárias e de outras áreas das humanidades. O título da antologia já era estranho no ano de lançamento (2006), e com o passar dos anos ele só ficando mais inadequado. Ainda mais se pensarmos com Lilia Schwarcz que recentemente andou defendendo a tese de que o século XXI só começou de fato agora com a pandemia, que teria colocado em xeque muitos dos ideais fundamentais do século XX. Ainda assim, achei que ele realiza um bom panorama a partir de uma visão da academia sobre a poesia brasileira da virada do século XX para o XXI. Abaixo vai uma lista dos autores dos quais gostei bastante dos poemas, ainda que por motivos diversos: Francisco Alvim, Nelson Ascher, Carlito Azevedo, Manoel de Barros, Fabiano Calixto, Haroldo de Campos, Fabrício Carpinejar, Chacal, Mário Chamie, Antonio Cicero, Ricardo Corona, Fabrício Corsaletti, Horácio Costa, Antonio Fernando De Franceschi, Adriano Espínola, Eucanaã Ferraz, Paulo Ferraz, Heitor Ferraz Mello, Ferreira Gullar, Armando Freitas Filho, Duda Machado, Alberto Martins, Glauco Mattoso, Tarso de Melo, Antônio Moura, Paulo Neves, Roberto Piva, Adélia Prado, Antônio Risério, Claudia Roquette-Pinto, Waly Salomão, Eduardo Sterzi, Sebastião Uchoa Leite, Caetano Veloso (apesar de ter achado forçada a presença dele em uma antologia de poesia) e Micheliny Verunschk. São muitos nomes, mas já é uma peneirada com relação aos 70 poetas que compõem essa antologia. Apesar do esforço de por parte do organizador de incluir alguma variedade regional na antologia, não chega próximo à metade o número de autores que não são radicados entre São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais. Revisitar essa antologia, dessa vez me comprometendo a anotar pelo menos alguma coisa de cada poema foi uma experiência pessoal de lembrar de 2008, quando comprei o livro e estava no primeiro ano da faculdade, e comparar com hoje. Me interesso por poemas diferentes, por motivos diferentes. É gostoso notar que tive muito mais facilidade na leitura dos poemas nessa releitura, mostrando que ler poesia não é só questão de sentimento, mas é também de treino e estudo.

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