Inicialmente eu não fazia ideia do que escrever nessa resenha, fiquei pensando a noite inteira como eu faria para consegui descrever tudo que eu sentir lendo Alone With You in the Ether e cheguei a conclusão que: provavelmente não vou conseguir.
Esse é o terceiro livro da Olivie Blake que eu pego para ler, o primeiro foi The Atlas Six e depois The Atlas Paradox, que consequentemente eu não gostei de nenhum dois, então fiquei bem apreensiva para esse. mas eu vou te contar, tudo que a Olivie descobriu que tinha de talento ela usou aqui, na minha opinião esse é um daqueles livros que você termina e não consegue explicar o que ele causou em você, apenas que sentiu.
A história segue em torno de dois personagens, a Charlotte Regan e o Rinaldo Damiani, ou apenas então: Regan e Aldo que são duas pessoas depressivas e com outros transtornos presentes na vida. a Regan trabalha como uma espécie de guia turística em um museu e vive com seu então namorado, o Marc. já o Aldo vive sozinho com seus questionamentos e dar aulas de matemática teórica em uma escola e os dois tem algo em comum de primeira: ambos precisam tomar remédios controlados. páginas vão e páginas vem e a gente vai descobrindo mais sobre a vida dos dois e como eles enxergam a vida e como a vivem.
A Regan e o Aldo se encontram pela primeira vez de forma casual no museu onde a Regan trabalha e ai começamos então ver a jornada dos dois juntos, no começo é tudo muito quieto, aliás achei curiosa a forma que a Olivie abordou a primeira conexão deles, seriam seis conversas entre eles, dois estranhos aceitam conversar por seis vezes toda vez que se encontrassem. só que obviamente não foram apenas seis conversas, um começa a entrar definitivamente na vida do outro, mas até quando podemos camuflar romance e sexo como substitutos para os nossos remédios?
O romance dos dois praticamente gira em tópicos científicos, o Aldo ama especificamente falar sobre duas coisas: abelhas e o tempo e a Regan sempre entra na conversa pois ela não tem exigências e qualquer assunto já vira um assunto para a mesma, meio que esses duas coisas já viram o mecanismo de conversa original deles, qualquer outro assunto que eles pensarem sempre vai se transformar em uma filosofia ou do tempo ou de abelhas
A relação romântica dos dois vai evoluindo muito rápido mas a medida que as coisas vão passando os dois vão também percebendo que ambos não podem se usar de remédios e ignorar os problemas da vida, essas partes aliás me chamavam muito atenção, ambos tinham suas paranoias mas nenhum cedia e nenhum queria ficar longe um do outro, não é nem um dependência emocional na minha opinião, para mim é mais uma questão de expectativas de vida, a Regan e o Aldo queriam ficar juntos mas eles conseguiriam sem ajuda?
Em uma parte, o pai do Aldo pergunta se o filho acha mesmo que uma vida com a Regan daria certo, e ele responde que sim e eu também concordo, pessoas bipolares também tem direito de formar um final feliz, no fundo a Regan quer sempre ser amada mesmo que até ela mesma não consiga entender bem o amor, não consigo por ninguém em caixinhas, para mim sempre tem uma solução.
O livro é completamente lindo e cativante, eu li em inglês pois não achei em português e posso dizer que a escrita é difícil, a Olivie Blake nasceu nos EUA mas ela ama um inglês bem robusto e puxado (só pesquisar uma entrevista qualquer da cantora Adele que você vai entender) mas nossa... sensacional demais, e a nota da autora no final foi incrível. se você tem algum conhecido que precisa de remédios controlados e ele não está tomando, tente ajudar.