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    Ensaio sobre a cegueira - Edição Especial

    José Saramago

    Companhia das Letras
    2022
    432 páginas
    14h 24m
    ISBN-13: 9786557826003
    Português Brasileiro
    4.6
    29 avaliações
    Leram68Lendo8Querem99Relendo0Abandonos0Resenhas3
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    Edição especial da obra-prima de José Saramago, com prefácio de Julián Fuks e fortuna crítica. Publicado pela primeira vez em 1995, Ensaio sobre a cegueira é uma verdadeira viagem às trevas da humanidade. Neste clássico moderno da literatura em língua portuguesa, o leitor é dragado para um cenário devastador, onde uma "treva branca" passa a assolar a sociedade, espalhando-se incontrolavelmente. Toda a população deixa de enxergar, exceto por uma mulher, que se passa por cega para acompanhar o marido na quarentena compulsória a que todos foram submetidos. Presos à nova realidade, os cegos se descobrem reduzidos à essência humana. No ano em que se celebra o centenário de nascimento do autor, vencedor do prêmio Nobel de literatura em 1998, a Companhia das Letras lança uma edição especial, com projeto gráfico de Raul Loureiro e obra de William Kentridge na capa, além de prefácio inédito de Julián Fuks e fortuna crítica com textos de Leyla Perrone-Moisés, Marco Lucchesi e Maria Alzira Seixo. Os leitores também terão acesso aos trechos de Cadernos de Lanzarote em que Saramago trata do processo de escrita da obra, selecionados e organizados por Graciela Margarita Castañeda e Pedro Fernandes de Oliveira Neto. "Um livro de fazer chorar, um livro de enternecer, e estranhamente talvez seja pelas lágrimas que ele nos salva." — Julián Fuks

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    Ewerton breno  picture
    Ewerton breno 16/01/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Mas já estamos todos cegos" De fato. Porém, penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que, vendo, não vêem. Imagine um mundo onde, de repente, todos perdem a visão. Uma epidemia inexplicável de cegueira branca se espalha rapidamente, expondo a fragilidade da civilização. José Saramago, com seu estilo singular e ausência de pontuação convencional, envolve o leitor em um caos que vai muito além da perda física da visão: ele revela a cegueira moral que sempre esteve presente. É essa cegueira moral que nos leva a refletir sobre a sociedade em que vivemos. A cegueira, tanto literal quanto metafórica, nos faz questionar: até que ponto enxergamos verdadeiramente o mundo ao nosso redor? Será que estamos cegos diante da violência, da corrupção, da indiferença? A maldade não está apenas nos cegos, mas também naqueles que se dizem capazes de ver. A cegueira dos personagens é uma poderosa analogia à falta de visão ética que permeia a sociedade. A morte, por exemplo, é encarada com normalidade. Mas será que isso ocorre porque todos estão cegos? No mundo dos que enxergam, a morte também já se tornou algo banal, a ponto de ninguém mais prestar respeito ou, ao menos, ter consideração pelo luto. "É um velho costume da humanidade, esse de passar ao lado dos mortos e não os ver", observa a mulher do médico. A mulher do médico, a única que ainda pode ver, torna-se o elo entre a escuridão e a luz. Mas será que enxergar nos torna mais humanos? Ou o que realmente importa é o que fazemos com essa visão? A resposta está nas pequenas ações de solidariedade, resistência e sacrifício em meio ao desespero coletivo.

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    José Saramago profile picture

    José Saramago

    José de Sousa Saramago é um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português. Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, em inglês) foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Jardineiro Fiel e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira (cineasta) adapta um conto retirado do livro "Objecto Quase", conto esse que viria dar nome ao filme Embargo (filme), uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha. Nasceu na província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, é membro do Partido Comunista Português e foi director do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado com a espanhola Pilar del Río, Saramago vive atualmente em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

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    José Saramago