A Escola dos Annales 1929 - 1989 - A Revolução Francesa da historiografia

    Peter Burke

    Unesp
    1992
    156 páginas
    5h 12m
    ISBN-10: 8539300761
    Português Brasileiro

    Primeira publicação que narra a história do movimento surgido na França, agrupado em torno da revista Annales. Ao dar estatuto de objeto de análise histórica a dimensões da vida privada, a Escola dos Annales abriu uma terceira via ao estudo da História, distanciando-se tanto da historiografia marxista quanto da história factual-biográfica. Peter Burke esclarece as coordenadas dessa refundação do método histórico analisando seus fundadores, Lucien Febvre e Marc Bloch, passando ainda por Fernand Braudel, Georges Duby, Jacques Le Goff e Le Roy Ladurie.

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    Tainã Teixeira08/10/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A revolução da historiografia

    Fiz a leitura por conta da pós e foi enriquecedor, especialmente por minha pesquisa estar na linha de história da educação. A obra oferece uma nova perspectiva sobre o estudo da história, indo além dos grandes eventos, figuras, considerando estruturas sociais, econômicas e culturais. Esse livro, apesar de pequeno, possui uma análise detalhada sobre a historiografia moderna. A Escola dos Annales, fundada por Marc Bloch e Lucien Febvre, trouxe uma nova perspectiva ao estudo da história, por priorizar a micro-história. Destacando os eventos, os personagens, as estruturas sociais, econômicas e as mentalidades coletivas, pela história profunda. Essa abordagem, chamada de "História Nova", questionou as limitações da história tradicional, ampliando o escopo da análise histórica ao incluir temas como o cotidiano das pessoas comuns e o impacto de fatores ambientais, como o clima, na sociedade. Acredito que o mérito da Escola dos Annales reside na sua tentativa de integrar diferentes disciplinas, como a sociologia e a filosofia, ao estudo da história, o que amplia as fronteiras do conhecimento histórico. A ênfase no uso de dados quantitativos, como números e estatísticas, trouxe mais precisão às análises históricas, com estudos sobre a demografia. Esse esforço por uma história mais rigorosa e científica fez com que a historiografia evoluísse para além das narrativas centradas na política e nos grandes feitos. Outro ponto de crítica relevante abordado por Burke é a recepção das ideias dos Annales em diferentes países. Enquanto alguns historiadores, como os marxistas ingleses Eric Hobsbawm e Rodney Hilton, acolheram a abordagem, outros mostraram-se mais céticos. Isso evidencia que, apesar da sua influência global, a Escola dos Annales enfrentou resistência em certos contextos acadêmicos, sobretudo por seu afastamento das tradições historiográficas mais consolidadas. Essa leitura é essencial para os interessados nas transformações da historiografia do século XX. Além disso, o autor ressalta a importância da visão crítica e o que o livro também possui limitações. Ao valorizar uma análise histórica mais ampla e multidisciplinar, o movimento Annales foi responsável por enriquecer a historiografia, mas sem esquecer que o historiador deve se manter aberto a múltiplas perspectivas para evitar a criação de uma narrativa incompleta. Para quem tem interesse na área acadêmica, da história ou ciências humanas, recomendo a leitura.

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