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    The Daughter of Doctor Moreau -

    Silvia Moreno-Garcia

    Del Rey
    2022
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-10: B09JVQ6DHK
    3.5
    305 avaliações
    Leram370Lendo23Querem652Relendo0Abandonos22Resenhas90
    Favoritos3Desejados652Avaliaram305

    Carlota Moreau: a young woman, growing up in a distant and luxuriant estate, safe from the conflict and strife of the Yucatán peninsula. The only daughter of either a genius, or a madman. Montgomery Laughton: a melancholic overseer with a tragic past and a propensity for alcohol. An outcast who assists Dr. Moreau with his scientific experiments, which are financed by the Lizaldes, owners of magnificent haciendas and plentiful coffers. The hybrids: the fruits of the Doctor’s labor, destined to blindly obey their creator and remain in the shadows. A motley group of part human, part animal monstrosities. All of them living in a perfectly balanced and static world, which is jolted by the abrupt arrival of Eduardo Lizalde, the charming and careless son of Doctor Moreau’s patron, who will unwittingly begin a dangerous chain reaction. For Moreau keeps secrets, Carlota has questions, and in the sweltering heat of the jungle, passions may ignite.

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    Queria Estar Lendo06/04/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resenha: A Filha do Doutor Moreau

    Mais um livro da Silvia Moreno-Garcia concluído, mais uma história favorita para panfletar. Diferente de Gótico Mexicano, A Filha do Doutor Moreau é uma história sobre amor e fúria. Se afasta do horror físico que poderia evocar para focar muito mais no psicológico. E eita que trama poderosa que ela conta aqui. Na trama, acompanhamos os anos 1871 e 1877 em uma hacienda escondida no meio da floresta de Yucatán. Em Yaxaktun, como é chamado o lugar, um médico francês chamado Doutor Moreau desenvolve experimentos em híbridos de humanos com animais, financiado por um rico fazendeiro que busca, nesses híbridos, mão de obra competente e servil. Carlota é filha de Moreau. Uma jovem mulher excepcionalmente gentil e querida que cresceu para agradar o pai. Montgomery é o responsável pelos híbridos e pelos cuidados do lugar. Não se questiona o que é feito ali, porque tudo parece por um bem maior. Até que, em 1877, uma visita inesperada coloca toda a rotina de Yaxaktun. O filho do rico fazendeiro se aproxima de Carlota, e os segredos tão bem escondidos naquele paraíso podem se tornar pesadelos. A Filha do Doutor Moreau é um livro rápido. Inspirado no clássico de H.G. Wells, A Ilha do Doutor Moreau, traz uma releitura instigante que fala principalmente sobre amor e fúria. Os pontos de vista variam entre Carlota e Montgomery. Muitas vezes, as cenas se repetem para que se forme um panorama completo do que os dois estão vivendo ali em Yaxaktun. Não apenas em sua rotina, mas principalmente quando ela vira de cabeça para baixo com a chegada dos jovens curiosos. "Significa que a natureza não dá saltos." Silvia Moreno-Garcia usa essa releitura para explorar um território novo. Ao centrar a história no México, ela traz discussões sobre colonialismo, a caça aos indígenas e a guerra de interesses entre países britânicos e o México. É uma ficção histórica que flerta com outros gêneros de maneira bastante sutil e bem encaixada na trama. O sci-fi está ali nos diálogos sobre ciência, genética e nos bizarros experimentos desumanos que Moreau faz em seu laboratório. O complexo de deus que ele carrega, e como isso se desenrola na história, é perturbador. E a maneira com que ele usa o seu conhecimento e sua lábia para fazer parecer que grandes revoluções estão sendo criadas ali é revoltante. Mas funciona muito bem para ajudar a construir uma leve tensão; principalmente quando estamos acompanhando o ponto de vista de Carlota. "É melhor não convidar a má sorte falando sobre ela." Essa jovem mulher é apaixonada por Yaxaktun e por tudo que há ao seu redor. Apesar de curiosa, ela vê nesse pequeno canto do mundo o seu mundo todo. Nos híbridos, ela vê a sua família. Em Montgomery, uma figura interessante e igualmente inalcançável. E, em seu pai, a peça mais importante dos caminhos que trilha. Aos poucos, no entanto, a autora desconstrói essa moça criada para agradar e ser cuidadosa, gentil, calma. Ela aos poucos descasca a personalidade de Carlota para mostrar que há sombras e raiva guardadas lá no fundo. Só precisa do momento certo para fazê-las virem à tona. E quando elas vêm... Eita, que coisa boa ler a raiva feminina tão bem escrita. Assim como acontece com a Noemí em Gótico Mexicano, tem um desenvolvimento muito notável nas atitudes da Carlota. Ela parece submissa, mas na verdade ela sente o dever de ser submissa. Quando aprende a erguer a voz, mostra o poder que tem. "Somos todos peças no jogo de xadrez de mogno e marfim do seu pai. Mas você é a rainha, e pode se mover livremente pelo tabuleiro, em todas as direções." E Montgomery! O que falar do personagem que roubou o meu coração? Tão inesperadamente, inclusive. Porque eu não sabia que esse caçador de coração quebrado se tornaria um protagonista tão interessante. A relação dele com o Moreau, com a Carlota e esse lugar é muito complexa. Ele chega à Yaxaktun porque é um lugar distante do mundo que muito o perturbou; ali, acaba encontrando um lar. Assim como a Carlota, ele vê nos híbridos uma família. Mas, diferente dela, vê no Moreau um problema crescente e perturbador. Eu gostei demais da personalidade e das atitudes dele. Amo um personagem fodido da cabeça, e o Montgomery definitivamente é um. "Você acredita ser Moisés?" "Seu pai acredita ser Deus." Eu não esperava, inclusive, que A Filha do Doutor Moreau me fizesse sofrer por um casal. Mas eu sofri. Ah, como eu sofri. O romance é sutil, só uma possibilidade jogada em meio aos inúmeros outros temas tratados ali. Mas uma possibilidade intensa, sofrida e muito bem trabalhada. A questão com os experimentos do doutor é tratada de maneira muito mais humanizada. O horror não está nos híbridos ou nas suas mutações físicas. O horror está no homem que os criou. E só nesse ponto a autora já explora discussões poderosas e perturbadoras sobre o ego e o anseio desse complexo divino. A participação dos híbridos é muito querida, porque eles realmente são uma família. Lupe e Cachito têm mais destaque, tendo crescido com a Carlota. Lupe sonha com o mundo lá fora, e não pode alcançá-lo porque o mundo não seria gentil com ela. E Cachito é curioso e igualmente cuidadoso, muito mais próximo de Montgomery (que, a meu ver, parece muito com uma figura paterna para ele; ou pelo menos de um irmão mais velho). As visitas ao lugar e as reviravoltas que elas trazem funcionam melhor com as surpresas. Mas eu deixo aqui o meu total desprezo pela ambição e por um personagem específico que, se eu pudesse, entrava no livro para arranhar toda a cara. Eu li o livro em inglês e em partes foi um desafio, em partes foi bem suave de acompanhar. A edição brasileira saiu pela Melhoramentos, com tradução de Bruna Miranda, e parece bem bonita! A Filha do Doutor Moreau é uma leitura rápida e certeira para quem busca tensão, bizarrice e uma surpreendente trama sobre amor. Também é uma leitura muito indicada se você busca um arco de raiva feminina que vai te deixar vibrando por mais. Silvia Moreno-Garcia acerta mais uma vez, pessoal.

    27 curtidas

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    Avaliações

    3.5 / 305
    • 5 estrelas11%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas42%
    • 2 estrelas13%
    • 1 estrelas2%
    Silvia Moreno-Garcia profile picture

    Silvia Moreno-Garcia

    SILVIA MORENO-GARCIA is the author of Signal to Noise, named one of the best books of the year by BookRiot, Tordotcom, BuzzFeed, io9, and other publications; Certain Dark Things, one of NPR’s best books of the year, a Publishers Weekly top ten, and a VOYA “Perfect Ten”; the fantasy of manners The Beautiful Ones; and the science fiction novella Prime Meridian. She has also edited several anthologies, including the World Fantasy Award winning She Walks in Shadows (aka Cthulhu’s Daughters). She lives in Vancouver, British Columbia.

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    Silvia Moreno-Garcia