Fruto proibido
?Arrependo-me de ter tornado sombria minha juventude, de ter preferido o imaginário ao real, de me haver desviado da vida.? André Gide, pág. 196. Esta linda obra é um poema em prosa sobre o despertar dos sentidos. É, em parte, comparações sobre o novo e o velho, sobre erotismo, extravagâncias da juventude, receios da vida, do passado, do que não foi experimentado e o que não voltará a ser, pois o tempo é uma constante sem retorno. O livro é lindo e deve ser lido por olhos curiosos, corações aquecidos e muita fome. Um guia para as almas novas que tem receio de experimentar viagens, sabores e amores pelos mares dessa Terra. Parece, também, um memoir de Gide, sua vida e obra que deixaram impressões em autores como Camus e Sartre, e para o leitor mais exigente. O livro foi escrito em duas partes, iniciado em 1897 e acrescentada uma nova parte em 1927. Mais uma obra inspirada em Nietzsche. Queria ter lido Os Frutos da Terra há 20 anos, talvez mais. Teria ajudado a compreender melhor meus temores e anseios, guiando alguns passos para meu autoconhecimento. O que foi, passou e este não volta mais. Permanece uma nostalgia das dúvidas enquanto adolescente, das angústias enquanto jovem e da fantástica experiência da vida em nos proporcionar vivê-las, todas.



