"Notívagas" é o livro de estreia de Juliana Cunha, e, tal como diz Irka Barrios na apresentação do livro: "Juliana tem garras e as escancara em [...] seu livro de estreia".
Não é um livro para pessoas com estômago fraco, devo advertir. O gore é bem presente em vários contos. Logo no primeiro, "A Devoradora" (meu preferido), Juliana já chega mostrando a que veio. E diferente de outros livros em que o primeiro conto acabou me decepcionando e me fazendo perder as expectativas sobre os outros, a escolha de começar com "A Devoradora" foi sensacional, ao meu ver, pois particularmente me deixou com ainda mais expectativas que antes (e acabei devorando as páginas rapidamente).
Recomendo, em especial, os meus contos preferidos no livro, sendo eles: "A devoradora", "A joia", "O desejo da cobra" (que me lembrou muito um conto de fada, e bem por isso está entre os que mais gostei), "A Dança Macabra" e "Notívaga".
Claro que, no entanto, a gente nem sempre acaba gostando de tudo. Achei alguns contos um pouco "fracos", mas no balanço geral, acabei gostando da maioria, que foram bem "fortes" e que me fizeram sentir medo, repulsa, raiva... tudo o que espero sentir quando pego um livro do gênero.
No quesito da qualidade da impressão do livro, diagramação, etc, não tenho o que reclamar. Teve sim alguns errinhos de ortografia, mas foram tão mínimos que não me incomodaram.
Foi uma leitura marcante e que valeu à pena, para mim. E a oportunidade que tive de assistir ao workshop da autora sobre a representação das bruxas na história da arte europeia, só acrescentou à minha experiência de leitura, pois consegui identificar muitas das inspirações de Juliana em seus 14 contos.
Já estou no aguardo do próximo livro da autora.