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    A Cidade Ene (Contos Russos Modernos (1900-1930)) -

    Leonid Dobýtchin

    Kalinka
    2020
    142 páginas
    4h 44m
    ISBN-13: 9786586862003
    Português Brasileiro
    4.3
    2 avaliações
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    "A Cidade Ene", novela de Leonid Dobýtchin (1894-1936), é uma narrativa do ponto de vista de uma criança do começo do século XX. Na fictícia cidade Ene ― em homenagem à cidade N de "Almas mortas" de Gógol ― desvelam-se reminiscências da infância do autor na pequena Dvinsk (Daugavpils), onde passou boa parte da vida. A cidade é um lugar simbólico, um todo-lugar, representando qualquer província russa, e ao mesmo tempo evoca acontecimentos históricos particulares, como a Guerra Russo-Japonesa, a Revolução de 1905 e as transformações que antecederam a Revolução de 1917. A despeito dos anos em que permaneceu, devido à censura stalinista, desconhecido na Rússia, hoje Leonid Dobýtchin é considerado um dos mais refinados modernistas russos. A coleção Contos Russos Modernos (1900-1930), centrada na produção do primeiro terço do século XX, privilegia uma plêiade de escritores que, com a consolidação do regime totalitarista, foi condenada ao esquecimento, até ser redescoberta na década de 1990.

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    arthur17/10/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    a mais verdadeira representação da infância já escrita

    Serge, escrevi também, você já viu lutadores? Eu queria dar uma olhada neles, Serge, mas, sabe, maman ouviu em algum ligar que isso é grosseria. Eu rasgava as cartas assim que elas ficavam prontas e jogava os pedaços atrás do armário, porque não tinha dinheiro para os selos e maman poderia tê-las lido antes de eu as enviar. onde esse livro estava minha vida toda

    1 curtida

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    Leonid Dobýtchin profile picture

    Leonid Dobýtchin

    Leonid Dobýtchin/ Leonid Dobychin/ Леонид Иванович Добычин. O nome de Leonid Ivánovitch Dobýtchin(1894-1936), hoje aclamado mundialmente, desapareceu na década de 1930 e só foi redescoberto depois de 1990, junto com uma safra de escritores vanguardistas e modernistas russos obscurecida pela censura da era stalinista. Natural de Dvinsk (atual Daugavpils, Letônia), Leonid Dobýtchin enfrentou uma vida repleta de dificuldades. Trabalhou como estatístico em cidades do norte da Letônia e da Rússia, dividindo quartos de solteiro com a mãe, uma parteira, e os três irmãos. Apenas aos 40 anos ele pôde escrever em tempo integral, numa escrivaninha própria, quando recebeu da União dos Escritores Soviéticos um quarto num apartamento comunal em São Petersburgo. Sua morte, em 1936, permanece inexplicada. No momento em que Stálin declarou guerra ao formalismo, Dobýtchin foi acusado de ser o maior dos formalistas e politicamente míope, e por isso, talvez ainda agravado por sua homossexualidade e por sua figura voluntariosa, foi considerado um inimigo da classe. Ele defendeu-se das acusações e desapareceu no dia seguinte. Nunca mais ninguém o viu. A poética minimalista de Dobýtchin, muitas vezes comparada à de escritores como Joyce e Nabókov, expressa as contradições entre a nova iconografia que nascia com o totalitarismo soviético e os velhos símbolos de uma Rússia provinciana, mística e religiosa. Em vida publicou duas coletâneas de contos, Encontros com Liz (1927) e O retrato (1931) – reunidos em Encontros com Liz e outras histórias (Kalinka, 2009) – e o romance A Cidade N (1935). Escreveu mais dois livros, publicados anos depois de sua morte, Os Selvagens (1989) e O Clã do Churka (1993), este que recebeu o prêmio “Internacional Book of the Year” do Times Literary Supplement de 1994. - "No fim de 1987, um pouco depois de voltar de Estocolmo, onde fora receber o Nobel de literatura, Josef Bródski falava a um grupo de estudantes e professores da Universidade de Harvard. O escritor Arkádi Lvóv lembra o episódio no jornal: – Qual dos escritores... Bródski nem terminou de ouvir a pergunta: – Minha altivez é a poesia. – Mesmo assim, quem o senhor considera o maior escritor russo pós-revolucionário? Bródski refletiu. Ouviam-se vozes de todos os lados: – Bulgákov, Platónov, Bábel, Zóschenko... – Dobýtchin – proferiu Bródski rapidamente. – Leonid Dobýtchin." (Extraído de um artigo de V. Mechkóv, publicado em Gazeta da Cidade, Evpatória, Ucrânia, ago-out, 2007, nº 29-39) [KALINKA.com.br]

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