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    Como ser um ditador - O culto à personalidade no século XX

    Frank Dikötter

    Intrínseca
    2022
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9786555604214
    Português Brasileiro
    3.9
    61 avaliações
    Leram83Lendo23Querem454Relendo0Abandonos7Resenhas17
    Favoritos2Desejados454Avaliaram61

    Como alguns dos principais ditadores do século XX permaneceram no poder por tanto tempo ― e de que forma impactam no surgimento de novos líderes autoritários Nenhum ditador consegue governar valendo-se apenas de medo e violência. O poder nu e cru pode ser conquistado e mantido por um tempo, mas nunca é o suficiente a longo prazo. É preciso que o povo aclame a figura do tirano para que ele consiga se perpetuar no comando. No século XX, à medida que novas tecnologias permitiam que os líderes levassem a própria imagem e voz para dentro dos lares, observamos o nascimento de um fenômeno sociopolítico: o culto à personalidade, muito explorado por alguns ditadores para alcançar a ilusão de aprovação popular e com isso prescindir de um processo eleitoral legítimo. Dessa forma, centenas de milhões de pessoas foram condenadas a um entusiasmo compulsório, obrigadas a reverenciar os respectivos líderes mesmo enquanto eram conduzidas à servidão. Em seu estudo, Frank Dikötter revisita a trajetória de oito ditadores do século passado e a máquina de propaganda que fomentou o culto em torno de suas figuras ― de Hitler e Stalin a Mao Tsé-tung e Kim Il-sung. Com desfiles cuidadosamente coreografados e uso deliberado de censura para manter a mortalha de mistério ao seu redor, esses homens trabalharam incansavelmente a própria imagem e encorajaram a população a glorificá-la, perpetuando uma forma de controle que, de certo modo, foram aprendendo uns com os outros e com a história. Em um momento de retrocessos tão flagrantes da democracia em todo o mundo, estaríamos presenciando o renascimento dessas mesmas técnicas entre alguns dos líderes mundiais de hoje? Vladimir Putin, Viktor Orbán e Xi Jinping estariam bebendo da mesma fonte? Oportuno, com uma linguagem acessível e baseado em ampla pesquisa histórica, Como ser um ditador examina como um governo totalitarista se consolida, cresce e se sustenta. E, sobretudo, coloca o culto à personalidade no lugar a que sempre pertencerá: no próprio âmago da tirania.

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    Resenhas (17)Ver mais
    Claudia e Seus Livros picture
    Claudia e Seus Livros15/10/2024Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Essa obra não é uma biografia dos ditadores. É uma análise bem feita sobre a construção do culto à personalidade de cada um dos líderes mencionados. Cada um deles teve paciência e persistência para alcançar o poder. Foram devagar, "comendo pelas beiradas". Alguns tiveram mais sorte que outros, mas todos sabiam exatamente para onde estavam se encaminhando. Tinham objetivos. E quando chegavam ao poder, precisavam eliminar a concorrência imediatamente, não só os inimigos, mas também aqueles que os ajudaram a conquistar o maior patamar do poder em seus países. Interessante observar que o mais prático era usar o exemplo de outros ditadores... neste caso, é recorrente o uso de alguma "campanha antirevolucionária" como desculpa para a eliminação de desafetos.  Usaram muito as mídias para a própria propaganda e para iludir seus povos e a opinião pública do exterior, elaborando uma farsa muito bem montada, mas que levou milhões de pessoas à miséria e à morte. Um exemplo clássico: quem era jovem nos anos 1980 como eu, deve se lembrar da campanha contra a fome na Etiópia... sim, tivemos shows de bandas famosas para arrecadação de fundos... lindo...lindo... e todo o dinheiro arrecadado foi enviado para as mãos do ditador daquele país, o Sr. Mengistu, que destinou  as verbas para o exército e não para os civis famintos. Ao final da resenha pegue seu nariz de palhaço 🤡 Enfim, um livro muito bom para quem deseja conhecer um pouco dessas criaturas que, de um jeito ou de outro, alteraram o curso da história de seus países e do mundo.  "Os ditadores mentiam não só para as pessoas, mas também para si mesmos. Alguns se isolaram no próprio mundo particular, convencidos de sua genialidade. Outros desenvolveram uma desconfiança patológica do próprio séquito. Todos eram rodeados por bajuladores. Oscilavam entre a insolência e a paranoia e, como resultado, tomavam as principais decisões sozinhos, com consequências devastadoras que custavam a vida de milhões de pessoas."

    11 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 61
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas0%
    Frank Dikötter profile picture

    Frank Dikötter

    Frank Dikötter é um historiador holandês especializado na China moderna. Dikötter é mais conhecido como o autor da Grande Fome de Mao, que ganhou o Prêmio Samuel Johnson 2011. Dikötter é professor de ciências humanas na Universidade de Hong Kong, onde ministra cursos sobre Mao Zedong e a Grande Fome Chinesa. Ele foi professor da história moderna da China na Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres.

    5 Livros
    3 Seguidores
    Limburg, Holanda

    Frank Dikötter