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    Diorama -

    Carol Bensimon

    Companhia das Letras
    2022
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9786559211036
    Português Brasileiro
    4.2
    453 avaliações
    Leram570Lendo14Querem738Relendo0Abandonos7Resenhas78
    Favoritos25Desejados738Avaliaram453

    Inspirado em um crime real ocorrido na capital gaúcha, Diorama é um misto de coming of age e romance policial, marcado por deslocamentos, questões de sexualidade e feridas que nunca cicatrizam; um estudo único sobre as marcas deixadas em famílias desfeitas pelo crime e pelo preconceito. Uma caçada em família no pampa gaúcho. Uma taxidermista restaurando animais em um museu de história natural. Um deputado morto com um tiro de espingarda na retomada da democracia brasileira. Um romance que precisa ser mantido em segredo devido ao preconceito. Essas cenas tão vívidas são apenas algumas das que se entrelaçam em um livro sensível e envolvente, o primeiro desde que Carol Bensimon venceu o prêmio Jabuti de melhor romance com O clube dos jardineiros de fumaça. Narrado por Cecília Matzenbacher, Diorama percorre os meandros de uma existência marcada por um crime brutal. Enquanto a protagonista adulta tenta manter de pé a vida refeita nos Estados Unidos, sua versão criança leva o leitor de volta à Porto Alegre dos anos 1980, revelando pouco a pouco os detalhes íntimos e políticos de um assassinato que marcou o Rio Grande do Sul. Somam-se a isso múltiplas vozes de testemunhas e envolvidos, que erguem um universo agridoce de relações estilhaçadas, segredos e violência sempre à espreita. Em uma prosa cinematográfica, embalada a rock e entremeada por reflexões sobre a natureza e sobre as fraturas que carregamos, Bensimon constrói em Diorama uma comovente história familiar.

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    Resenhas (78)Ver mais
    Ana Sá picture
    Ana Sá22/08/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um romance inteligente e envolvente, na mesma medida

    Baseado em um assassinato real ocorrido na década de 1980 em Porto Alegre, "Diorama" aborda o crime não sob o prisma do assassino ou da vítima, mas da filha do acusado de tal tragédia social e íntima. Cecília, filha do deputado Raul Matzenbacher, desenha, entre idas e vindas temporais, o retrato macro e micro de um escândalo que abala não apenas sua cidade, mas sobretudo os pilares de sua família de classe média. A meu ver, um romance policial orientado menos pelo crime em si, e mais pela investigação do que havia e do resta de uma família depois que se aperta(m) gatilho(s). Brilhantemente executada, a obra traz capítulos que se deslocam da Porto Alegre na qual vivia Cecília aos 9 anos, quando tudo ocorreu, e cidades dos Estados Unidos, país escolhido pela Cecília adulta na tentativa de começar uma nova vida ou de apenas fugir da anterior. Aliás, a geografia do romance e as ambientações são um ponto forte; não só sentimos na pele a ponte aérea Brasil-EUA e a ponte temporal BrasilPassado-BrasilPresente, como nos vemos diante de ecos do velho e bom romance policial nacional à la Rubem Fonseca, que desta vez substitui o protagonismo das ruas cariocas pelos bairros da capital gaúcha. Sim, a meu ver, ética e estética vivem aqui um casamento perfeito, e também o título e seu derivado (a taxidermia, profissão da Cecília) têm culpa no cartório dos acertos deste livro. "Taxidermista" é o profissional que se dedica a remontar/empalhar animais; "Diorama", por sua vez, é a paisagem/cena que se cria com esses animais, em museus de História Natural, por exemplo. Ouvi em uma entrevista que a autora não é taxidermista e que inicialmente começou a pesquisar sobre essa prática por gosto pessoal, sem ter grandes intenções pro romance. Isso até que (como nós, leitoras) ela notasse que não poderia ter feito uma escolha mais acertada. As metáforas e alegorias sobre morte-vida-encenação que a profissão de Cecília traz pra narrativa são genialmente sutis e sempre interessantes. Aliás, nunca mais verei um animal empalhado da mesma forma! Eu diria que "Diorama" é mesmo um romance de simbioses, entre o político e o íntimo, entre o histórico e o privado, entre os fatos e a geografia, entre passado e presente. Num momento em que sobram romances de prosa poética, Carol Bensimon opta por uma história sóbria, sem aforismos, focada na execução de um projeto literário desprovido de grandes adereços. Fiquei encantada com o modo como ela amarra uma narrativa sócio-histórico-política a uma narrativa de si. A narradora não adota um tom confessional, pois não precisa. Cecília se revela mesmo quando opta por calar o "eu" e focar nos outros e nos fatos. Do Brasil hiperinflacionado da década de 80-90 à "família de bem" e ao armamentismo que perduram até os dias atuais, o interior da protagonista é costurado a tudo que há a seu redor, traçando quadros sensíveis sobre infância, memórias, relações familiares, traumas. Sim, é gostoso ler uma boa prosa poética, mas há dramas e tramas que não carecem de poesia para serem brilhantes e, por sorte, "Diorama" vem nos recordar disso. Obs. 1: A cereja do bolo é, a meu ver, o espaço que uma questão identitária, em específico, vai ganhando no desenrolar do romance, mas optei por não tratar disso na resenha porque foi muito prazeroso ir me dando conta desse elemento aos poucos, então decidi encará-lo como spoiler. Mas deixo aqui minha menção honrosa a mais esse acerto da autora! Obs. 2: Em certa medida, este é um romance musical e a autora disse numa entrevista que montou uma playlist no Spotify pra quem tiver curiosidade em ouvir as músicas que são citadas nele.

    65 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 453
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas51%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
    Carol Bensimon profile picture

    Carol Bensimon

    Carol é natural de Porto Alegre, nascida em 1982. Colabora com revistas e jornais brasileiros, publicou contos no jornal Zero Hora e em revistas como Ficções e Bravo!, trabalha com traduções e é responsável pelas melhores mixtapes da internet (http://www.mixcloud.com/carolbensimon/). Carol, mestre em escrita criativa pela PUC-RS, publicou Pó de Parede, seu livro de estréia, pela Não Editora. Pó de Parede foi finalista do Prêmio Açorianos de Literatura em 2008. Lançou, pela Companhia das Letras, o romance Sinuca Embaixo D'água, finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti. Escreve quinzenalmente para o blog da cia. das letras (http://www.blogdacompanhia.com.br/) Pode ser encontrada em: http://twitter.com/carolbensimon e http://carolbensimon.tumblr.com/

    13 Livros
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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Carol Bensimon