Parte I:
O amor ao próximo como a si mesmo exige uma sociedade sem opressões, sem exploração, com base em relações interpessoais, sociais e econômicas fraternas, cooperativas, baseadas no diálogo.
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Aquele que não se compadece nem se comove diante da fome e da enfermidade de seu próximo é um animal irracional, que não tem o direito de ter aspecto de homem, pois contradiz ou desmente sua natureza. (Santo Astério de Amaseia)
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Santo Agostinho, ao abrir o livro Cidade de Deus, contrapõe dois amores de um lado o amor a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo (a Cidade de Deus), do outro lado, o amor a si mesmo acima de tudo (a Cidade do Diabo). Em linguagem política, significa que, de um lado (o lado de Deus), devem existir relações fraternas, cooperativas, comunitárias, filiais, paternas e maternas (destaque para Maria e a Igreja como mãe). Do outro lado (o lado de Mamon ou do bezerro de ouro), há relações individualistas, de opressão, de escravidão, de ódio, sem solidariedade, sem amor ao próximo (enfim, há o capitalismo, com a idolatria à riqueza, aos prazeres e fundada na mentira).
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Os ricos, que açambarcam os bens, perdem contato com Deus, pela insensibilidade ética e afetiva (que obscurece a inteligência, enfraquece a vontade, nubla a memória, confunde a afetividade, etc.) diante das necessidades do próximo. São Francisco de Assis mostrou, claramente, como deve ser nossa relação com o próximo e com os bens, por isso é um bom exemplo de como deve ser o cidadão do futuro, especialmente nas relações sociais e na forma de gestão dos bens.
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Mais em:
https://listadelivros-doney.blogspot.com.br/2018/05/socialismo-uma-utopia-crista-parte-i.html
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Parte II:
O ponto de partida do socialismo de todo socialismo é o homem e o protesto contra a desumanização da vida e, por conseguinte, o seu ponto de partida é o amor aos homens, a solidariedade em face da desumanização, da humilhação, da desgraça. Socialismo é, em certo sentido, idêntico a amar aos homens. O socialismo é a doutrina do amor ao próximo, tanto em relação ao ponto de partida como em relação ao objetivo. (Adam Schaff)
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Eu vejo a Igreja aberta a todas as perspectivas de solidariedade, de comunidade, de fraternidade, de colocar os bens a partir das necessidades do homem, e fazer com que o homem supere os tabus do capitalismo, que consagra e diviniza o dinheiro.
Esse capitalismo é um mal, é o próprio pecado. Nefasto, inimigo do homem, a alternativa será uma comunhão cada vez maior e uma valorização daquilo que o povo tem como identidade sua. Até mesmo valores culturais e religiosos devem ser assumidos, como expressão de algo muito profundo que é necessário ao seu viver. (Dom Tomás Balduíno)
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No seu Catecismo socialista, Luis Blanc começa com esta pergunta: O que é o socialismo? E responde: É o evangelho em ação. (Padre José Comblin)
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Mais em:
https://listadelivros-doney.blogspot.com.br/2018/05/socialismo-uma-utopia-crista-parte-ii.html
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Parte III:
Mais do que o próprio, os ricos comem o pão dos outros, habituados que estão a viver de rapina e a sustentar as próprias despesas com fraudes. (Santo Ambrósio)
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E assim que os que vivem como malvados em razão de sua riqueza desprezam os outros na mesma medida que merecem ser desprezados, cometem iniquidades, mostram-se, ávidos de possuir cada vez mais, apropriam-se do que não lhes pertence, cobiçam o que não têm, arrebatam os bens do seu próximo, desfrutam a vida à custa dos bens alheios, traficam com a desgraça dos pobres e fazem isso apoiados na força e no poder da riqueza. (Teodoreto de Ciro)
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Tudo, não apenas a terra, mas tanto o trabalho, a personalidade, a consciência, o amor do homem, como a ciência, tudo se torna inevitavelmente subornável enquanto dura o poder do capital. (Lênin)
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Parte IV:
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Num Estado, quanto menor for a igualdade, tanto maiores são a vaidade, a baixeza, a ferocidade, a cobiça e a tirania. (Abade Gabriel Bonnot de Mably)
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Contemplando a sociedade, é impossível deixar de verificar que todas as leis, todas as instituições sociais têm por finalidade única a garantia do bem-estar dos ricos. Se abrirmos um código de leis, ficaremos horrorizados porque iremos encontrar, em cada página, a confirmação dessa verdade. Compulsando as leis, tem-se a impressão de que uma ínfima minoria, um punhado de homens, dividiram a terra e fizeram as leis para se defender contra a massa de indivíduos que nada possuem. (...) As leis, para esses homens, têm a mesma utilidade que as cercas que se levantam para proteger as florestas das incursões de animais ferozes. (Jacques Necker)
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Nada se prova melhor do que a nossa grande máxima: não se consegue possuir demasiado sem fazer com que outros não possuam o suficiente. (Babeuf)
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Uma nação na qual uma classe é oprimida assemelha-se a um homem que tem uma ferida na perna: a perna doente impede a perna sadia de fazer qualquer exercício. (
) A tirania não é somente odiosa, ela é estúpida. Não ha inteligência onde não há entranhas (misericórdia, compaixão, amor ao próximo).
A humanidade tem estado muito afastada de sua finalidade para que nos seja dado atingi-la em um dia. A civilização corruptora da qual sofremos ainda o jugo confundiu todos os espíritos e envenenou as fontes da inteligência humana. A iniquidade tornou-se justiça, mentira tornou-se verdade, e os homens vêm-se entredevorando em meio às trevas.
Muitas ideias falsas devem ser destruídas; elas desaparecerão, não devemos duvidar. Chegará, assim, o dia, por exemplo, em que será reconhecido que, quem recebeu de Deus mais força ou mais inteligência, deve mais a seus semelhantes. Será então um gênio, constatando, o que é digno dele, seu legítimo poder não pela importância do tributo que imporá à sociedade, mas pela grandeza dos serviços que lhe prestará. Porque não é para a desigualdade de direitos que a desigualdade de talentos deve conduzir, e sim para a desigualdade de deveres. (Aloisio Teixeira)
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