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    Terra sonâmbula -

    Mia Couto

    Companhia das Letras
    2007
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-13: 9788580863345
    Português Brasileiro
    4.2
    31 avaliações
    Leram59Lendo10Querem32Relendo0Abandonos6Resenhas5
    Favoritos2Desejados32Avaliaram31

    Primeiro romance de Mia Couto, Terra Sonâmbula é uma verdadeira aula sobre a velha arte de contar histórias. No Moçambique pós-independência, mergulhado em uma devastadora guerra civil, um velho e um menino empreendem uma viagem recheada de fantasias míticas. Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1965-75), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992. O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os "cadernos de Kindzu", o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga, e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra. Terra Sonâmbula - considerado por júri especial da Feira do Livro de Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX - é um romance em abismo, escrito numa prosa poética que remete a Guimarães Rosa. Couto se vale também de recursos do realismo mágico e da arte narrativa tradicional africana para compor esta bela fábula, que nos ensina que sonhar, mesmo nas condições mais adversas, é um elemento indispensável para se continuar vivendo.

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    Fabrício Cardoso picture
    Fabrício Cardoso04/10/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    É impossível um leitor de língua portuguesa não se emocionar com esse livro

    O primeiro romance de Mia Couto colhe poesia no terreno da mais torpe das violências, aquela que se dá entre irmãos. Terra Sonâmbula narra os estertores da guerra civil do Moçambique, pós-independência, quando as razões por que se luta já carecem de sentido. Famintos, exaustos, o velho Tuhair e o menino órfão Muidinga vagam por escombros materiais e emocionais, quando encontram a carcaça de um ônibus à beira da estrada. Dentro, corpos carbonizados e um cadáver perfurado a tiros, ao lado de uma mala contendo um conjunto de diários assinados por um certo Kindzu. Aí Mia Couto exerce a magia narrativa, alternando capítulos entre as angústias de Tuahir e Muindinga com as leituras dos cadernos de Kindzu. Ao colocar o jovem no papel de contador da história para o velho, inverte-se a tradição moçambicana. É um país que exige redesenhos, porque as pessoas já nem mais ficam triste, "só cansadas". O autor traz a mensagem política sem qualquer sacrifício estético. Como herdeiro de Guimarães Rosa, vai alargando a semântica, como na primeira frase do romance: "Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada". É a chave para a compreensão de um romance pelo qual nenhum leitor de língua portuguesa vai passar sem se emocionar.

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 31
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas55%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    António Emílio Leite Couto  profile picture

    António Emílio Leite Couto

    Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, ele é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. Em 2007, foi entrevistado pela revista Isto É. Presentemente é empregado como biólogo no Parque Transfronteiriço do Limpopo.

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    António Emílio Leite Couto