[...] na areia de Perchling. E vamos encontrar nosso lugar."
O tomo II te deixa mais sem esperança do que nunca. Simplesmente tudo consegue dar mais errado ainda e a autora comete pecados imperdoáveis (quase infartei, mas amei); você não espera tanto drama num momento tão crucial e se desilude demais (mas ama).
Acima de tudo, tivemos descobertas de explodir a cabecinha: fatos e detalhes sutis narrados no primeiro livro são resgatados, aprofundados e completamente transformados, trazendo um ar de "tudo que eu achava que sabia era mentira".
O que é maravilhoso, porque o livro continua denso, demorado e um pouco confuso - dado à riqueza de detalhes -, então em momento nenhum ficamos perdidos na névoa entre um plot e outro; somos sempre arrebatados por uma reviravolta em cima de outra, ou seja, as coisas não demoram para acontecer.
O que trouxe essa leveza diante à falta da névoa da enrolação é o fato de o tempo passar de modo sutil. As viagens que demoraram semanas era⁹m encerradas no mesmo capítulo que já começava a luta pessoal do personagem, o que trouxe bastante foco na missão, sem tanta enrolação sobre o dia a dia de uma viagem (principalmente) de barco durante semanas sem nada de novo acontecendo.
No entanto, a autora faz resgate de nomes (que você nem consegue associar à pessoa em questão) em momentos extremamente movimentados, o que me deixou particularmente incomodada por ter que parar a cena (de ação) para ir procurar a menção que explicasse quem era a pessoa citada. Eu entendo que é um livro com muitos personagens e reconheço que nem em mil anos lembraria o nome de todos, mas aleatoriamente citá-los no meio da ação foi meio chato - não interferiu em nada, claro, mas deu uma leve quebra na fluidez (muito disso é um incômodo particular meu).
De modo geral, era um medo sem fim. Os personagens me cativaram ainda mais (eu sou apaixonada pelo Aralaq e quero um para mim).
As minhas protagonistas favoritas se encontram e, apesar de inusitado, têm uma parceria maravilhosa (duas fodonas que não tem medo de dizer pra outra que a mataria facilmente se não precisasse de sua ajuda, mas que ajuda mesmo assim e tenho esperança de que elas virem amigas. Emocionante).
Os personagens foram muito bem desenvolvidos, a trama muito bem articulada e solucionada. O romance (a migalha dele) foi impecável e meu amor por essa duologia foi instalado. Senti que cada personagem teve o final que merecia, com justiça, determinação e esperança.
"Você sabe que tomo o Cavaleiro da Coragem como meu patrono. Há coragem, penso eu, em ter a mente aberta e pensar por si mesmo. Se você é uma bruxa, então talvez as bruxas não sejam tão perversas, afinal."
🧙♀️🍊🌳❤️🔥