Salmo para um robô peregrino (eBook) (Monge e o Robô #1) -

    Becky Chambers

    Morro Branco
    2022
    151 páginas
    5h 2m
    ISBN-10: B0B6GBXMLB
    Português Brasileiro

    Passaram-se séculos desde que os robôs de Panga ganharam senciência e largaram suas ferramentas; séculos desde que eles vagaram, em massa, para regiões selvagens, para nunca serem encontrados novamente; séculos desde que eles se tornaram mitos e lendas urbanas. Um dia, a vida de um monge do chá é transformada pela chegada de um robô, ali para honrar a velha promessa de vir visitá-lo. O robô não pode retornar até conseguir uma resposta para sua pergunta: do que as pessoas precisam? Mas a resposta para esta questão depende de para quem você pergunta, e como. Eles irão precisar fazer esta pergunta muitas vezes. A nova série de Becky Chambers pergunta: em um mundo onde as pessoas tem o que eles querem, ter mais importa?

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    Vania Cristina Ribeiro picture
    Vania Cristina Ribeiro03/02/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Em movimento e em busca do que é difícil explicar

    Essa novela de ficção científica, da jovem autora norte-americana Becky Chambers, foi para mim uma boa surpresa. A começar pela nota inicial da editora, que explica a ousada escolha da tradução. Chambers apresenta seu protagonista como sendo de gênero não-binário, ou seja, não se identifica com o gênero feminino ou masculino. Na língua inglesa, nesses casos, é possível usar o pronome they, mas como traduzir essa ideia para o português respeitando a criação da autora? A história começa num mosteiro, onde temos irmãos e irmãs, mas como designar o protagonista Dex? A tradução literal da palavra they só traria confusão, então a opção foi criar a palavra Irme para falar de Dex: Irme Dex. Quando a narrativa está falando do protagonista, não são usados os pronomes ele ou ela, mas elu. E todos os adjetivos com flexão de gênero estão com o final e, ao invés de a ou o: obrigade, constrangide, quiete, sentade, descontraíde... Foi uma experiência nova e fascinante pra mim. Não tive dificuldade, apenas o pronome elu tirou um pouco da fluidez, mas não foi um problema para a compreensão da leitura. Bom, do que fala então a obra, sobre questões de gênero? Não, nada disso. O gênero do protagonista só é colocado na narrativa para mostrar que estamos num tempo e lugar onde esse não é um problema. A história, na verdade, apresenta um forte apelo à espiritualidade, à vida simples e a pensamentos filosóficos e místicos. Estamos na Cidade, a única do planeta Panga. Irme Dex trabalha como jardineire no mosteiro, mas está inquiete. Está se sentindo sufocade e, num impulso, resolve mudar de trabalho. Torna-se monge de chá para poder atuar nas aldeias rurais que orbitam a Cidade. Recusa-se a ser aprendiz de um monge mais experiente, quer aprender sozinhe. Ganha uma carroça bicivaca, de dois andares, com tudo o que precisa para viver, uma casa colocada em movimento pelas pernas e pelo esforço de Irme Dex. Nesse mundo existe a crença nos três Deuses Pais e nos três Deuses Filhos, forças da natureza responsáveis por todas as coisas. Num passado remoto na Idade das Fábricas, os robôs, criados pelos homens para o trabalho na indústria, ganharam consciência. Reconhecendo isso, a humanidade ofereceu aos robôs a liberdade e a vida como cidadãos junto aos homens. Os robôs demonstraram agradecimento mas recusaram o convite. Como só conheciam o mundo criado pelos homens, queriam conhecer o mundo selvagem. Esse momento histórico passou a ser conhecido como o Despertar e um tratado foi estabelecido. O planeta foi dividido: metade para os humanos e metade para a vida selvagem e os robôs. Desde então, os humanos nunca mais tiveram notícias dos robôs. E todo humano que se aventurou na selva, nunca mais foi visto. Tudo isso aconteceu muito antes de Irme Dex. Embora não existam mais robôs entre os homens, existe tecnologia limpa e sustentável. Quando o monge Dex se coloca em movimento, está respondendo a um impulso que não consegue explicar. Está buscando algo que não consegue entender. Depois de um tempo aprendendo e trabalhando como monge do chá, de aldeia em aldeia, ainda não se sente feliz. Seu próximo passo é seguir na direção do território selvagem, e é quando encontra o robô Chapéu de Musgo e estabelece o primeiro contato entre as duas "espécies" depois de muito tempo. O robô tem a missão de descobrir como a humanidade está vivendo e escolhe seguir Irme Dex em sua jornada. Juntos, vão em busca de suas respostas. Esse é o primeiro livro de uma série, mas o único, por enquanto, traduzido. No entanto, é uma história fechada, não se preocupem. O que não quer dizer que, ao final da leitura, não fique a vontade de saber mais das aventuras de Irme Dex e Chapéu de Musgo.

    42 curtidas

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    4.1 / 1027
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