"A verdade do ato de amor no qual os cônjuges se tornam partícipes da ação criadora de Deus brota de que ele é expressão de sua doação pessoal recíproca, que não pode deixar de ser total, uma vez que a pessoa é una e indivisível. Os esposos são chamados a fazer um dom recíproco de si mesmos na integridade da sua pessoa: nada daquilo que constitui o seu ser pode permanecer excluído desta doação. Eis a razão da intrínseca ilicitude da contracepção: ela introduz uma substancial limitação no interior desta doação recíproca, interrompendo aquela 'conexão inseparável' entre os dois significados do ato conjugal, o unitivo e o procriativo, que Paulo vi indicava como inscrita pelo próprio Deus na natureza do ser humano.A Igreja põe à disposiçãodos casais os meios de graça que Cristo oferece na Redenção, e convida-os a recorrer a eles com confiança sempre renovada.
Humanae Vitae -
Paulo VI
Uma das encíclicas mais importantes para um curso de noivos, contudo, uma das mais esquecidas
Vemos a importância dessa encíclica quando analisamos o período a qual ela foi escrita. 1968: oito anos da pílula anticoncepcional; ano dos protestos franceses, conhecido como “Maio de 68”; um ano antes de “Woodstock”; década do movimento hippie e da contracultura. A luta pela igualdade racial, o ambientalismo e as novas ideias que foram surgindo nas universidades (temos como protagonistas alguns nomes da Escola de Frankfurt), inauguraram uma mentalidade de quebra de tabus: sexo livre (e sem responsabilidade), uso de drogas e esvaziamento da família. Olhando todo esse cenário, de desordem sexual e controle artificial da natalidade, proporcionado pela pílula anticoncepcional, a Igreja, Mãe e Mestra da humanidade, guiada à época pelo Papa Paulo VI, se pronunciou e mais uma vez ensinou a verdade, a exemplo de seu Divino Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo. A encíclica é bem breve mas muito clara naquilo que se propõe a falar. Versa sobre a missão dos esposos, a não terem medo de assumirem a missão que prometeram no altar, estando abertos aos filhos que Deus os enviar, como é dito que "[...] a Igreja apresentou sempre, e mais amplamente em tempos recentes, um ensino coerente, tanto acerca da natureza do matrimônio, como acerca do reto uso dos direitos conjugais e acerca dos deveres dos cônjuges." Ao longo do documento, é colocado a função do ato conjugal, ordenado para o seu verdadeiro fim: "Na missão de transmitir a vida, eles (os esposos) não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, como se pudessem determinar, de maneira absolutamente autônoma, as vias honestas a seguir, mas devem, sim, conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do matrimônio e dos seus atos e manifestada pelo ensino constante da Igreja." Ou em outro ponto ainda mais claro: "[...] a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida." Essas declarações não demonstram que o ato conjugal só serve para ter filhos, se assim fosse, só seria permitido fazê-lo nos períodos férteis da mulher. O ato conjugal tem duas finalidades inseparáveis, a geração da prole e união dos esposos. Observa-se em outros atos da vida, a existência de mais de uma finalidade, por exemplo, quando usufrui-se dos alimentos, não se come só porque é saboroso, mas também porque o corpo é nutrido. Ninguém come, só porque dá prazer, muito menos só para nutrir-se, é uma ação conjunta. Alguns podem objetar das dificuldades que uma prole numerosa resultaria, disso o Papa diz que, "[...] usufruir do dom do amor conjugal, respeitando as leis do processo generativo, significa reconhecer-se não árbitros das fontes da vida humana, mas tão somente administradores dos desígnios estabelecidos pelo Criador." Em outras palavras, é confiar na Divina Providência, saber que Deus não abandona aqueles que querem ser fiéis a seus preceitos. É de se recordar as palavras de Nosso Senhor: “Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? [...] Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé” (Mt 6.26-30).
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