O desespero – uma doença mortal.
Esse é um pequeno livro que defende o desespero humano como algo presente em todas as pessoas; alguns manifestam mais que outros, no entanto, todos sofrem com essa "doença mortal" hora ou outra. Kierkegaard utiliza diversos argumentos para justificar que apenas Deus liberta o homem do desespero. As questões existencialistas estão presentes, mas sempre justificadas ou com a finalidade de interpretação cristã. Para embasar seu pensamento, o autor utiliza exemplos de situações, passagens bíblicas, explicações e argumentos de outros filósofos e livros. Ele se detém metade do livro a explicar o pecado, algo apontado como ignorância — no sentido socrático. Grande parte da discussão também aponta povos pagãos, julgando seus comportamentos em confronto com o desespero. É um texto bem confuso e repetitivo, sem filtros para os pensamentos tumultuados e fluídos do autor, que busca explicações racionais com embasamento religioso. Não é algo essencial no sentido prático, mas considerando que Kierkegaard foi um dos primeiros (ou o primeiro?) a pensar a questão existencialista tal como a apresentada, reflexões sobre o tema se tornam importantes.

