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    Bebida amarga -

    José Almeida Júnior

    Faro Editorial
    2022
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-10: 6559571971
    Português Brasileiro
    4.5
    24 avaliações
    Leram30Lendo3Querem57Relendo0Abandonos0Resenhas9
    Favoritos1Desejados57Avaliaram24

    Marcos e Fernando são jornalistas, pai e filho, trabalham em veículos de imprensa concorrentes e com vieses ideológicos opostos. Fernando na Tribuna da Imprensa, jornal de Carlos Lacerda, alinhado a um caminho liberal-conservador. Marcos na Última Hora de Samuel Wainer, veículo mais alinhado à esquerda. Narrado em primeira pessoa, alternando cada capítulo na voz de um dos personagens, o leitor tem um vislumbre de um dos momentos mais importantes da história do país, sob dois olhares rivais, que trabalham diretamente com figuras históricas que foram protagonistas dos eventos que delinearam os rumos da política do Brasil. Para entender o que aconteceu em 1º de abril de 1964, é preciso retroceder às eleições de 1960 e à polarização que tomou conta do país. Sem maniqueísmos e a partir de pontos de vista distintos, Bebida amarga resgata os reflexos de um dos períodos que se acreditou ter a maior polarização política da História do Brasil. Até agora. “Com atenção aos fatos históricos que narra, mas sem perder o foco na história que deseja contar, José Almeida Júnior escancara a cegueira da sociedade brasileira às vésperas do golpe militar de 1964 e a sua incapacidade de adivinhar todas as amargas consequências. Definitivamente é um autor para ser acompanhado.” ― R. Tavares, escritor

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 08/09/2022Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    A Polarização E O Golpe

    Acaba de ser publicado pela Faro Editorial, o terceiro romance histórico de José de Almeida Júnior. Em 250 páginas, Bebida Amarga cobre um dos períodos mais polarizados de nossa República, indo da inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960, até o golpe militar, 1 de abril de 1964, que redesenhou o panorama brasileiro pelas duas décadas seguintes. A narrativa gira ao redor de um conflito geracional. Marcos, o pai, e Fernando, o filho, são jornalistas que estão politicamente em lados opostos. Enquanto o primeiro é um comunista convicto que trabalha num jornal mais à esquerda, Ultima Hora, de Samuel Wainer; o outro é um liberal-conservador que atua na Tribuna de Imprensa, de Carlos Lacerda. Observadores privilegiados dos acontecimentos, eles terão suas vidas moldadas conforme seus princípios, permitindo diferentes perspectivas que se alternam ao longo dos 30 capítulos e esse resgate, isento de maniqueísmo, é um dos méritos do romance. Um mérito que compreende um abrangente trabalho de pesquisa por parte do escritor que, minuciosamente exposto, pode tornar-se em alguns momentos exaustivo, mas faz do Brasil o protagonista de uma galeria de personagens convincentemente construída. Uma delas é Mônica. Filha de Fernando, trata-se de uma menina autista, criada como problemática ou doente mental, já que esse transtorno era pouco conhecido há sessenta anos. Outra personagem interessante é Rebeca. Esposa de Fernando e mãe de Mônica, ela pode ser comparada a uma nova Capitu, pois sua honra é constantemente colocada em dúvida, mas jamais é comprovado qualquer indício ou boato. Aliás, é fácil cair na armadilha capciosamente armada por Almeida Júnior, que é um expertise do universo machadiano, inclusive, seu segundo livro, O Homem Que Odiava Machado Assis, versa sobre a vida e obra do escritor. Finalmente, se você leu o romance de estreia de Almeida Júnior, o premiado Ultima Hora, Marcos e Fernando não lhe são estranhos, já que atuam respectivamente como protagonista e coadjuvante da história. Indo de 1950 a 1954, ela compreende o último governo Vargas e, a despeito de serem leituras independentes, formam uma duologia, porém, com um desfecho instigante, não me espantaria o futuro lançamento de mais um volume, originando uma trilogia. Nota - Um aspecto da edição não me agradou: as reproduções de páginas de jornais e revistas, que encerram cada capítulo, ficaram muito escuras. Inclusive, é uma pena que as fotos coloridas estejam em branco e preto. O resultado seria muito mais atraente, mas creio que a questão do custo tenha sido preponderante na decisão.

    13 curtidas

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    4.5 / 24
    • 5 estrelas42%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas8%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    José Almeida Júnior profile picture

    José Almeida Júnior

    José Almeida Júnior é escritor e Defensor Público do Distrito Federal, com pós-graduação em Direito Processual e em Direito Civil. Última Hora, seu primeiro livro, foi sucesso de público e crítica. O romance foi vencedor do Prêmio Sesc de Literatura de 2017, finalista do Prêmio Jabuti e do Prêmio São Paulo de Literatura.

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    Rio Grande do Norte, Brasil

    José Almeida Júnior