Depois do best-seller A garota na teia de aranha, David Lagercrantz dá continuidade à genial série Millennium, de Stieg Larsson. Lisbeth Salander precisa passar um curto período atrás das grades, num presídio que também abriga uma das maiores criminosas da Suécia, de alcunha Benito. Na cela ao lado, ela observa uma jovem muçulmana acusada de matar o irmão sofrer ameaças constantes da gangue racista de Benito, a "dona" do pavilhão. Mesmo sem ter acesso ao mundo exterior, Lisbeth dá um jeito de descobrir mais sobre as partes encobertas de sua infância traumática, depois que Holger Palmgren lhe apresenta pistas sobre um experimento pseudocientífico realizado com gêmeos. Claro que ela irá acionar o destemido jornalista Mikael Blomkvist para ajudá-la a desvendar esse mistério e a defender os desprotegidos, garantindo que os vilões paguem por seus crimes. Assim, a dupla está mais uma vez no cerne de um romance de tirar o fôlego, que aborda de modo fascinante muitas das graves questões que assombram o mundo hoje.
O Homem que Buscava sua Sombra (Millennium #5) -
David Lagercrantz
Trama de Engrenagens Que Demoram a Funcionar
Para manter uma trama com elementos diversos, tecida em uma história com muitas digressões e uma pesquisa articulada é importante manter o interesse do público leitor criando um enredo com personagens ativos em histórias ativas, principalmente se estamos falando de um Thriller policial. Em “O Homem Que Buscava Sua Sombra” 5° livro da saga Millenium publicado em 2017, e escrito por David Lagercrantz, o continuador da obra do Stieg Larson, não temos tanto esse enredo que nos prende logo pelo começo. O livro trata da continuação da história do 4° livro, agora com a heroína/protagonista Lisbeth Salander presa numa penitenciária se envolvendo numa trama que a fará retornar ao seu passado. Ajudada pelo jornalista Mikael Blomqivst ela descobre a existência de uma rede poderosa que mexe com a separação de irmãos gêmeos para estudos biológicos, e as ligações dessa instituição com grupos extremistas religiosas num assassinato de um ativista pelos direitos humanos. Preocupada com os abusos cometidos a uma prisioneira chamada Faria Kazi Lisbeth fará de tudo para livrá-la das mãos de crueldade de Benito, uma prisioneira neonazista com conexões poderosas na prisão. Uma trama que se volta para os problemas já abordados nos livros anteriores, como: misoginia, racismo, neonazismo na Europa, redes de corrupção no meio corporativo, eugenia, melhoramento genético, tráfico de pessoas, violência doméstica e etc. O meu primeiro incomodo no livro foi o fato da Lisbeth estar presa. Quem conhece a Lisbeth, sua trajetória nos três primeiros livros e toda a construção de sua personalidade não concebe uma Lisbeth se entregando para as autoridades policiais. A personalidade de Lisbeth nesse 5° livro é uma coisa que estranha o leitor que conhece a saga. Aqui ela aparece apagada a maior parte do tempo, mesmo sendo um dos motes para história da instituição que separa os gêmeos. Mikael praticamente toma para si as investigações. Com o David (autor) Lisbeth meio que dá uma sumida enquanto Mikael toma um protagonismo. Isso incomoda pelo fato da Lisbeth e o Mikael serem coprotagonistas da história. O início da história é bem lento, com falta ação efetiva. Definitivamente esse o livro da saga que tem menos ação. A história dos irmãos gêmeos eu particularmente achei meio sem sal, sem graça, não é tão instigante. As digressões são cansativas, a história demasiadamente extensa desses gêmeos eu achei meio “pombo”. Além do fato do autor ficar se estendendo pelas digressões, temos a mesma tentativa de “picotar” o clímax, ou seja, ficar trocando de relato dos personagens num momento de clímax. Essa tentativa até faria sentido se a história tivesse mais ação, mas aqui ela é tão mediana que não funciona (eu particularmente detesto esse corte de clímax). O livro é bem escrito e disso eu não posso reclamar. O David Lagercrantz é um escritor muito esforçado e dedicado à sua pesquisa, porém faltou nesse livro o componente de ação. Lisbeth estranhamente torna-se um clichê meio apagado nesse livro, Mikael carrega boa parte da ação e da investigação do livro nas costas. As engrenagens da trama demoraram a funcionar, e quando essas engrenagens “começaram a funcionar” a história já estava bem em cima do final. Lisbeth só entra em ação efetiva na “porta de encerramento” da trama. Contudo, o autor nos trouxe uma abertura para o 6° livro, no final, ao citar a questão mal resolvida da irmã “sumida” de Lisbeth. Enfim, um livro mediano que demora a funcionar como trama de ação, mas que em determinado sentido entretém o leitor.
Estatísticas
Avaliações
3.7 / 1009- 5 estrelas19%
- 4 estrelas32%
- 3 estrelas37%
- 2 estrelas11%
- 1 estrelas2%






