Feminismo em disputa - Um estudo sobre o imaginário político das mulheres brasileiras

    Esther Solano, Camila Rocha

    Boitempo
    2022
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9786557171738
    Português Brasileiro

    Como ampliar os direitos das brasileiras, contando com o apoio de mais mulheres, de diferentes vertentes políticas? Em um momento de extremo embate, com o governo mais conservador desde a redemocratização e em meio a inúmeras investidas para retroceder direitos conquistados ao longo dos anos, essas são questões latentes. Nesta obra, as pesquisadoras Beatriz Della Costa, Camila Rocha e Esther Solano apresentam uma minuciosa pesquisa feita com mulheres de vários espectros sociais e ideológicos para entender consensos e dissensos no que diz respeito ao feminismo e aos direitos das mulheres hoje. Uma pesquisa quantitativa realizada pelo instituto Big Data complementa a obra, que traz uma espécie de guia de ação política para conversas com mulheres que se denominam conservadoras, com o propósito de encontrar valores básicos que unam mulheres de campos políticos diferentes e assim construir uma agenda em comum para todas as brasileiras. “A despeito de suas muitas diferenças, praticamente todas aquelas com quem conversamos almejavam ser mulheres empoderadas. Todas afirmavam que o machismo as prejudicava em seu cotidiano e desejavam ser autônomas, independentes dos homens tanto material como emocionalmente, e livres para alcançar seus objetivos de vida. A grande diferença que separa as mulheres que se identificam como conservadoras das demais é a importância que as primeiras conferem ao papel desempenhado pela mulher dentro da família e à harmonia do lar; é fato, porém, que todas ressaltam a importância de políticas públicas que permitam que as mulheres conciliem o trabalho fora de casa e o cuidado com a família.”

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    Érica Leme16/05/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Eu já tinha começado essa leitura quando essas 10 deputadas eleitas votaram contra a PL 1.085/2023 que visa garantir equidade salarial e remuneratória entre homens e mulheres que exerçam trabalho de igual valor ou o exercício de mesma função. Esse livro, através de entrevistas, tenta identificar os pontos de convergência de ideias que mulheres que se identificam como conservadoras têm com mulheres que se identificam como feministas. E um dos pontos de forte convergência é justamente a isonomia salarial. Essas 10 deputadas do espectro conservador da política, portanto, votaram contra os interesses de suas eleitoras. Para mim, isso demonstra a urgência em disputarmos (e ganharmos) os votos dessas eleitoras, que estão mais próximas das pautas feministas do que elas imaginam ou consigam perceber e que elas estão depositando seus votos e suas esperanças em mulheres que não estão fazendo jus às suas expectativas. A quem estão servindo essas deputadas? E porque não estamos conseguindo chegar nessas eleitoras?

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