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    O último leitor -

    Ricardo Piglia

    Companhia das Letras
    2006
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-10: 8535908846
    Português Brasileiro
    4.1
    72 avaliações
    Leram134Lendo19Querem280Relendo0Abandonos6Resenhas10
    Favoritos9Desejados280Avaliaram72

    Neste livro que o autor considera "o mais íntimo e pessoal" que já escreveu, o argentino Ricardo Piglia explora a natureza da leitura literária. Num arco histórico que vai de D. Quixote a Che Guevara, os ensaios brilhantes e nada convencionais de O último leitor falam de grandes leitores, reais e ficcionais, para mostrar que a literatura ocupa um lugar central na experiência humana. Como Jorge Luis Borges, o escritor argentino Ricardo Piglia é avesso às fronteiras tradicionais entre os gêneros literários e, sobretudo, à fronteira convencional entre ficção e não-ficção. Romancista, prima por mesclar um andamento crítico e inquisitivo à trama de relatos como Respiração artificial e Nome falso. Ensaísta arguto, não hesita em entrelaçar a experiência pessoal - de toda ordem, mesmo política - às mais finas percepções literárias. Nos seis ensaios que compõem O último leitor, Piglia identifica várias modalidades de leitura na tradição literária ocidental. Não se trata de uma história sistemática da leitura, mas de um percurso personalíssimo por situações de leitura encenadas em textos centrais ou marginais da literatura, de D. Quixote a Madame Bovary, das Ficções de Borges ao Ulisses de Joyce, passando por uma galeria fascinante de "últimos leitores", isto é, leitores viscerais, que empenham todo o seu ser na decifração da palavra escrita e, por meio desta, do próprio destino: Gramsci numa prisão fascista e Robinson Crusoé numa ilha deserta, Anna Kariênina num trem para Moscou ou Che Guevara em cima de uma árvore, no auge da guerrilha boliviana, lendo um livro.

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    Evelyn Ruani24/01/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ricardo Piglia reuniu uma série de ensaios sobre o vínculo entre obras e leitores para criar uma espécie de <i>"história imaginária da leitura"</i>. São cenas colhidas ao longo da história literária onde o leitor ficcional é o centro das atenções. Tudo tem início com o capítulo "O que é um leitor?", onde Piglia citando Borges, <i>"um dos leitores mais convicentes que conhecemos, a respeito de quem podemos imaginar que perdeu a visão lendo"</i>, introduz sua trajetória em rastrear o modo como a figura do leitor está representada na literatura, ou seja, as representações imginárias da arte de ler na ficção. Já neste primeiro capítulo, cita obras como Hamlet e O Aleph. Piglia nos traz a partir de então, diversos capítulos interessantes que remotam a este tema: um capítulo sobre Kafka e suas infinitas cartas a Felice Bauer, a garota-datilógrafa, com quem ele trocava impressões sobre o leitor ficcional em cartas que mais pareciam as páginas de um diário; Um ótimo capítulo sobre Che Guevara e seu gosto e vício pela solidão e pela leitura: <i>"O fato de eu desaparecer para ler, fugindo assim dos problemas cotidianos, tendia a distanciar-me do contato com os companhieros, sem contar que há certos aspectos de meu caráter que não facilitam a aproximação"</i> Gostei particularmente deste capítulo, pois tenho também um gosto parecido. Destaco o trecho: <i>"A leitura vinculada a certa solidão em meio à rede social é uma diferença que persiste. 'Durante estas últimas horas no Congo me senti sozinho como nunca havia estado antes, nem em Cuba nem em nenhum outro lugar em minhas peregrinações pelo mundo. Eu poderia dizer: até hoje eu não havia sentido a que ponto, quão solitário era o meu caminho'. A leitura é a metáfora desse caminho solitário. É o conteúdo da solidão e o seu efeito"</i> Também nos apresenta um gracioso capítulo sobre a obra de Tolstoi Anna Karienina, onde a protagonista lê num trem, o objeto da modernidade na época, e onde encontramos uma descrição magnífica das condições de leitura em certa classe social no século XIX. E finaliza falando da obra Ulisses de Joyce, que foi mais longe que todos os outros e inventou a figura do leitor final, aquele que se perde nos múltiplos rios da linguagem. O livro é muito interessante, mas confesso que achei a linguagem difícil e pude usufruir pouco da leitura por não ter conhecimento de algumas das obras que foram citadas e não ser uma expert em literatura para entender todas as reflexões feitas acerca dos textos.

    9 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 72
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
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    Ricardo Piglia

    Considerado um dos maiores escritores contemporâneos da Argentina, país que tem forte tradição literária, Piglia é autor de livros já clássicos como Respiração Artificial, considerado um dos mais importantes romances da literatura portenha.

    38 Livros
    38 Seguidores
    Buenos Aires, Argentina

    Ricardo Piglia