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    Cecilia - Ou Memórias de Uma Herdeira

    Frances Burney

    Pedrazul
    2019
    940 páginas
    1d 7h 20m
    ISBN-10: B0B4M2ST6K
    Português Brasileiro
    4.3
    96 avaliações
    Leram116Lendo17Querem389Relendo0Abandonos4Resenhas27
    Favoritos0Desejados389Avaliaram96

    Lançado em 1782 em Londres, Cecilia é comprovadamente o livro em que Austen se inspirou para o título de sua obra mais famosa e de onde retirou também o sobrenome de Elizabeth Bennet e várias outras ideias para vários de seus livros. Portanto, trazemos a obra-prima de Burney, a principal influência para Austen, como provaremos logo abaixo! A trama de Cecilia se desenrola em torno destes dois substantivos, Orgulho e Preconceito, citados dezenas de vezes ao longo de 102 capítulos da obra de 880 páginas. Em Cecilia, o Orgulho e o Preconceito são a essência da história. A obra-prima de Burney traz uma herdeira, Cecilia Beverley, cuja herança de um tio – um rico reitor – veio com uma condição: que ela encontrasse um marido que aceitasse renunciar ao seu próprio nome de família e adotasse o nome “Beverley”. Aqui tem início ao primeiro “orgulho” da trama. Acossada por todos os lados por pretendentes interessados em sua fortuna, a bela e inteligente Cecilia é cativada por um cavalheiro, o futuro lorde Mortimer Delville – herdeiro de um título de nobreza –, cujo orgulho de sua família por seu nascimento e ascendência proibiria tal mudança de nome. Último da linhagem de uma família aristocrata, cujo título era datado de vários séculos atrás, Mortimer Delville jamais renunciaria ao seu nome, pois arruinaria a seu pai, levaria o nome de sua família ao anonimato; tampouco ele se casaria com uma moça socialmente abaixo dele, pois o preconceito de seu pai era conhecido em toda a Inglaterra.

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    Carla Silva28/11/2022Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    O Olhar Masculino Sobre o Seu Ombro...

    Publicado pela primeira vez em 1782, Cecília foi o segundo romance de Frances Burney, após uma incursão da autora – que acabou não se realizando – no teatro. Cecília é uma jovem herdeira que tem de atender determinadas condições do tio para usufruir de sua herança. De início, apesar dessas condições, ela parece livre, coberta com a capa que o dinheiro lhe dá; mas não é bem assim. As ameaças a rodeiam - de caça dotes, de libertinos, de tutores irresponsáveis (nenhum dos três de bom caráter), de equívocos, e, em grande parte, pela sua própria inexperiência. Os movimentos do coração de Cecília são sempre bons – de generosidade, de compaixão, de desejo de expiar uma falta sua (em geral muito menor do que ela supõe). Porém, ela é frequentemente traída por sua inocência e desconhecimento do mundo e das pessoas. Ela adquire sabedoria a um alto preço: o do extremo sofrimento. Assim, bondade e compaixão sem sabedoria são armas que se voltam contra ela; seu coração inocente é pisado e sobrecarregado; sua capacidade de sofrer e de lutar levado a um clímax onde Frances Burney reúne o trágico e o patético, que nos mostram onde Dickens deve ter buscado inspiração para as páginas igualmente trágicas e patéticas que pontuam alguns de seus livros, como Oliver Twist, A Velha Loja de Curiosidades ou ainda o doloroso O Homem e o Espectro. Há uma riqueza de personagens secundários que outra vez veremos em Dickens, e Burney os utiliza para criar arcos e possibilidades na trama, além de discutir mesmo que por alusão – o olhar masculino sobre a sua escrita parece sempre presente, e sabemos como a opinião de alguns deles era central para ela – problemas e temas caros às mulheres. Escolher o companheiro de vida. O que deve ser uma esposa (o papel submisso e imaturo de Mrs. Harrel, com certeza, não é um bom exemplo, e não a poupou de infelicidades e tragédias). Em que consiste a benignidade e o que já é extravagância. Ser solteira ou ser casada. Amizades boas e amizades más. E é impressionante o espaço dado mesmo à questão do dinheiro; em Cecília, quase toda a problemática possível quanto ao dinheiro é explorada. Para dar um alívio cômico, ou ainda para discutir seus temas sem se preocupar com o malfadado “olhar masculino por cima do ombro”, Frances Burney cria uma personagem que foi a minha delícia e de um amigo que também lia o romance: Lady Honoria. Além de ridicularizar Mr. Delville – e francamente, que outra coisa é Mr. Delville senão ridículo? – e toda a sua pompa, Lady Honoria é também autora do comentário quiçá mais ferino do romance, quando diz que uma moça solteira não está livre de ser vigiada o tempo todo, e que um marido é o que ela necessita para ter alguma liberdade; basta não o amar e escolher um marido que ela possa manobrar. Esse comentário hilariante é feito no último capítulo do livro. Talvez, uma vingança modesta de Burney?

    41 curtidas

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    4.3 / 96
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