O lugar-comum das "contradições" de Vieira é herdeiro de uma perspectiva anacrônica, teleológica e laicizante, cujo imaginário sugere um homem repartido em fases antagônicas, nas quais ora predomina o "político", ora o "missionário", ora o "profeta", o "nacionalista", o "ultramontano" etc. Acreditar, contudo, que pregação e política sejam domínios contraditórios é desconsiderar os nexos da invenção seiscentista dos sermões, fornecidos pela Igreja da Contra-Reforma, pela teologia política da Segunda Escolástica e pelas novas artes do conceito engenhoso. Teatro do Sacramento busca construir um verossímil histórico em que os domínios da Teologia, da Política e da Retórica não se opõem e sequer admitem autonomia entre si, pois isto equivaleria o fracasso da via unitiva tomista, que postula analogia entre o ente finito da criatura e o puro ato de ser de seu Criador. A metáfora aplicada pelo orador é análoga à que o próprio mundo e a natureza forneceriam do Deus de que estariam impregnados. Neste quadro, ornatos dialéticos são legítimos instrumentos tanto da razão de Estado como da economia salvífica. Esta é uma coedição compartilhada pelas editoras brasileiras (Editora da Unicamp e Edusp) que lançaram a primeira edição em 1994 e a Imprensa da Universidade de Coimbra.
Teatro do Sacramento - A unidade teológico-retórico-política dos sermões de Antonio Vieira
Alcir Pécora
Imprensa da Universidade de Coimbra, Editora da Unicamp, Edusp
2016
293 páginas
9h 46m
ISBN-13: 9788531415777
Português Brasileiro
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