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    Eu sou um gato [ebook] -

    Natsume Soseki

    Estação Liberdade
    2021
    588 páginas
    19h 36m
    ISBN-10: B098RBR25V
    Português Brasileiro
    2.9
    5 avaliações
    Leram12Lendo8Querem21Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados21Avaliaram5

    Ao aparecer num terreno baldio, "sombrio, úmido e pegajoso", o gato, narrador deste romance, depois de passar por algumas poucas adversidades, acaba parando numa casa onde é acolhido por Chinno Kushami, o professor mal-humorado e estagnado em sua completa falta de perspectiva. Ridiculariza de maneira demolidora a vida da intelectualidade do Japão da Era Meiji, mostrando a fragilidade do professor e daqueles que o cercam. Sugerindo-se sempre como um ser de raça superior, o gato, com sua pesada munição e ares de dândi, não poupa nada nem ninguém. Sua linguagem é carregada de sarcasmo quando o assunto é o ser humano. Mesmo quando há uma ternura esta é impregnada de deboche. Soseki investe, por meio do olhar de fora, recurso que usa habilmente, em profundas análises psicológicas do ser humano – influenciado por William James (1842-1910) e suas pesquisas sobre o subconsciente. Todos os personagens passam pelo crivo do felino que leva o leitor a uma jocosa aventura, chamando-o para ser seu cúmplice na tarefa de desvendar o trágico cinismo interior de cada personagem e seu mundo repleto de mesquinhez, mentiras, vaidades e desolação. Muitas vezes trazendo para o texto idéias de escritores e filósofos do passado ou contemporâneos, Soseki propõe uma reformulação do modo japonês de escrever e pensar, a partir do contato com o pensamento e os costumes do Ocidente. Essa reformulação vem ao encontro das mudanças efetuadas na Era Meiji (1868-1912), quando o Japão passou por reestruturações políticas, econômicas e sociais, tornando-se potência mundial. Publicado inicialmente em forma de capítulos no Hototogisu, importante jornal literário da época, e lançado em 1905, Eu sou um gato é a estréia literária de Natsume Soseki e uma das primeiras faturas da renovação modernista da literatura japonesa.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Tania Azevedo picture
    Tania Azevedo28/10/2022Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    150 páginas em 500

    Em algum momento, no começo, faz-se necessário um auto alerta enfático: não é um gato de verdade, é um humano: Natsume Soseki. Ao fazer isso você perceberá, sorrateiramente, entrando por baixo uma risadinha irônica, felina, manhosa. Essa é a parte boa do início do livro, aí vem o teste de paciência, (inclusive enfado é uma palavra que o gato usa com frequência), porque é nisso que o livro se transforma, uma narrativa enfadonha. Se tivesse 1/3 de palavras seria um ótimo livro. Se a narrativa estendida tivesse outra finalidade que não fosse o simples gasto de palavras, mas não, está certo o gato, é enfadonho mesmo. Sabe aquelas pessoas que quando vão te contar algo que parece interessante, se estendem, falam, falam, fogem do tema, e no fim, o caso inicial é passado em uma frase e não tinha conteúdo? É isso. E aí vem a tina. Comecei pensando, que livro bom! Não sei nem como terminei, ao chegar ao fim constatei, devia ter abandonado.

    2 curtidas

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    Avaliações

    2.9 / 5
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas20%
    • 3 estrelas60%
    • 2 estrelas20%
    • 1 estrelas0%
    Natsume Kinnosuke profile picture

    Natsume Kinnosuke

    Natsume nasceu numa família de samurais em Edo, atual Tóquio, Japão. Aos dois anos foi entregue pelos pais aos cuidados de outra família, retornando à casa paterna aos nove. Perdeu a mãe aos catorze. Estudioso da literatura tradicional chinesa desde a infância, ingressa na Universidade Imperial (atual Universidade de Tóquio) aos 23 anos para cursar literatura inglesa. Começa, antes mesmo de se formar, a lecionar inglês na Escola Especializada de Tóquio (hoje, Universidade Waseda) e passa a assinar seus escritos com o nome "Soseki" - que, em chinês, significa "incômodo". Crises nervosas o fazem abandonar Tóquio e o prestigioso cargo que possuía. Estabelece-se em Ehime (Shikoku), numa escola secundária. Em 1900, viaja à Inglaterra como bolsista do Ministério da Educação para estudar literatura e ensino da língua inglesa.

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    Natsume Kinnosuke