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    Em câmara lenta -

    Renato Tapajós

    Carambaia
    2022
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788569002833
    Português Brasileiro
    4.3
    44 avaliações
    Leram72Lendo3Querem152Relendo0Abandonos1Resenhas5
    Favoritos0Desejados152Avaliaram44

    Um dos relatos literários mais impactantes sobre a luta armada, a repressão e a tortura durante o regime militar no Brasil, escrito no calor da hora Em câmara lenta nasceu, no início dos anos 1970, em uma cela no presídio Tiradentes, onde seu autor, o paraense Renato Tapajós, cumpria pena pelo envolvimento em ações de resistência à ditadura militar. Dobrado em pequenos retângulos, o romance saiu clandestinamente da cadeia. Lançado em 1977, foi apreendido e resultou numa recondução do escritor à prisão. Depois de uma segunda edição de 1979, só agora volta a ser publicado. O romance se desenrola num brilhante fluxo de memória: o presente é de desencanto e autocrítica, e as lembranças voltam para as atividades clandestinas do grupo semidesmantelado ao qual pertence o narrador. Há outros tempos, contudo, nesse prisma literário: a recepção das notícias do golpe militar de 1964 numa cidade do interior, os conflitos violentos entre estudantes de esquerda e de direita na rua Maria Antônia, relatos da guerrilha do Araguaia e cenas de uma fuga da prisão. O volume traz posfácio de Jayme Costa Pinto, uma entrevista com o autor, um parecer do crítico Antonio Candido utilizado nos trâmites do processo e um risível relatório do Exército, que tenta simular uma crítica literária para chegar à conclusão de que o livro é subversivo.

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    Berttoni Licarião picture
    Berttoni Licarião18/04/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    (re)Leituras de 2023 Em câmara lenta [1977] Renato Tapajós (PA, 1943-) Carambaia, 2022, 192 p. Ao longo deste romance sufocante, uma cena se repete na cabeça do narrador em moto-perpétuo “como em câmara lenta”. A cada retorno da referida cena — entremeada a fragmentos que se passam no presente da ficção e memórias de outros tempos e ações — novos detalhes são acrescentados até alcançarmos a completude de um arco narrativo que, já se pode suspeitar desde o início, descreve a queda de uma personagem nas mãos da ditadura militar. Construindo uma quebra-cabeças incompleto de passagens da guerrilha urbana e rural, da vida em aparelhos clandestinos, dos sequestros e assaltos à bancos, do trabalho junto a fábricas e operários, Tapajós nos convida a preencher as peças que faltam e dar algum sentido à luta empreendida por aqueles que deram suas vidas na busca por justiça social dentro de um regime autoritário. Todavia, longe de romantizar ou transformar essas mesmas vidas em exemplos de heróis caídos, o autor — através de um narrador preso ao trauma e ciente do fracasso de sua revolução — explora os dilemas morais e erros estratégicos, bem como a importância do direito à verdade como chave para combater a apatia, a imobilidade, em direção ao “único caminho possível”: “em frente”. Publicado em 1977 mas escrito dentro do cárcere entre 1969 e 1974, “Em câmara lenta” foi contrabandeado em pequenas folhas de papel seda entregues aos pais do autor a cada visita que estes lhe faziam durante sua pena. Poucos meses após ser colocado à venda, o livro sofreu censura e foi tirado de circulação, e Tapajós chegou a ser novamente preso, mas respondeu ao processo em liberdade. O romance, que recebeu um parecer de defesa de ninguém menos que Antonio Candido (reproduzido nesta edição), voltou às livrarias em 79 e teve várias reimpressões, mas no início do século 21 tornou-se obra rara. Este resgate da Carambaia é, pois, digno de nota e celebração: não só pelo valor estético (a linguagem é primorosa e a narrativa muito envolvente), mas sobretudo porque sociedade alguma pode se dar ao luxo de pensar que prescinde ou já tem narrativas suficientes sobre seus traumas culturais definidores.

    7 curtidas

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