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    Cavalos do amanhecer - <i>seguido de</i> A cidade silenciosa

    Mario Arregui

    L&PM
    2022
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9786556662893
    Português Brasileiro
    4.2
    51 avaliações
    Leram71Lendo7Querem45Relendo0Abandonos0Resenhas5
    Favoritos1Desejados45Avaliaram51

    “Me pega desarmado – repetia Alonso, fixado na frase. Rosto tenso, trêmulo, punhal imóvel rebrilhando à luz do lampião, o barbeiro dominava o salão. – Agora vou te mostrar – insistiu, com um furor já repleto de cálculo e crueldade. Alonso, encurralado, olhava para o punhal. A mão que o esgrimia era grande, morena, de pele esticada, articulações nodosas, sem veias no dorso. Gelada, mas viva, inexorável, a curta folha de aço se aproximou pausadamente, com a ponta para baixo. Logo girou e ergueu-se, rapidíssima, relampejando em direção de seu peito. Alonso tornou a saltar, esquivando-se outra vez por muito pouco.” – Trecho do conto “Diego Alonso” * Em cerca de meia centena de contos, o uruguaio Mario Arregui (1917-1985) construiu um mundo narrativo no qual soube explorar a fundo e mostrar à flor da pele alguns conflitos e inquietudes tão enraizados quanto encobertos que, desde obscuras origens, moldam a natureza humana. Compelido a ter como subsistência terras rurais que herdou, tornou-se estancieiro, mas sobretudo um versado conhecedor da criação de gado num país que chegou a ter mais vacuns e ovinos do que homens e mulheres. Essa exigente ocupação, que contribuiu decisivamente na formação de sua personalidade, não o impediu de frequentar a vida social no departamento em que nasceu, Flores, tampouco de compartilhar de vez em quando, com suas amizades na capital, tanto a boemia intelectual como a rebeldia da luta política em Montevidéu, assumidas ambas com igual fervor. Com o perfil crítico da geração a que pertenceu, consequente leitor e viajante eventual além-fronteiras, apaixonado homem de esquerda que, durante a ditadura, pagou o preço de sua militância, foi mormente um escritor obstinado e rigoroso, articulador de uma linguagem austera, persuasivo e sedutor, adestrado na implacável e tensa estrutura do conto, na qual concebeu e produziu, desde a campanha uruguaia, algumas peças magistrais e antológicas. Desse labor exemplar, que indica o domínio do autor sobre personagens, situações e sequências, com a transparência e a naturalidade proporcionada apenas pelo íntimo conhecimento do vivido e do imaginado, numa escala que vai desde o drama profundo ao humor sagaz, este volume reúne, sob os sugestivos títulos de Cavalos do amanhecer e A cidade silenciosa, duas séries dos melhores e mais representativos contos de Arregui, na versão em língua portuguesa do experiente tradutor e narrador brasileiro Sergio Faraco, fiel amigo do autor e minucioso e lúcido intérprete de sua obra. Wilfredo Penco, presidente da Academia Nacional de Letras do Uruguai.

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    Aguinaldo Medici Severino31/01/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    cavalos do amanhecer

    Quem fez propaganda deste livro foi o Ronaldo Lippold, também um rato dos livros. Ele me emprestou e li em uns dias de quase inverno, cinzas, como se mostrou ser o adequado. São contos de fronteira, daquele mundo onde os gaúchos mal se sabem brasileiros dos pagos ou uruguaios, castelhanos da gema, ou melhor, sabem, mas não vêem isto como uma separação intrínsica. São contos robustos, retratando um mundo do final do século XIX, tempos de quase guerra civil no Uruguai. Acho que este é o único livro de Mario Arregui (morto em 1985) traduzido para o português. Não sei se os contos pertencem a um único livro (o primeiro, "Noite de São João, sei que é de 1956) ou se foi compilado dentre uma produção literária que se estende por bons trinta anos. A tradução ficou a cargo do Sérgio Faraco. Difícil escolher um dos nove contos para ressaltar, são todos muito parelhos (para usar um termo gaudério). Gostei do "Diego Alonso", onde um sujeito escolhe uma forma limite para provar sua honradez e coragem. Em "A vassoura da bruxa" o leitor também se surpreende como Arregui retrata tão bem o espírito gaúcho, do homem integrado ao ritmo dos campos e das coxilhas. A conversa entre sogra e genro em "A volta de Ranulfo González" é impagável, muito boa mesmo. Neste conto ele registra: "Deus fez o mundo, tomou uns tragos pra festejar e até hoje não curou na borracheira". Incrível, que idéia! Em "Os contrabandistas" sonho e realidade criam uma atmosfera tensa. Há um clima grego nas histórias, como se o gaúcho fosse sim um marinheiro no vasto mar verde destes pagos. Belo livro. Esta dica eu tenho de agradecer ao Lippold. [início 10/05/2010 - fim 19/05/2010] "Cavalos do amanhecer", Mario Arregui, tradução de Sérgio Faraco, editora LP&M (pocket vol. 346), 1a. edição (2008), brochura 11x18 cm, 138 págs. ISBN: 978-85-254-1291-1

    6 curtidas

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