Três poemas sobre o êxtase -

    Leo Spitzer

    Cosac & Naify
    2003
    94 páginas
    3h 8m
    ISBN-10: 8575032720
    Português Brasileiro

    Judeu vienense, sábio poliglota, polemista dos mais temidos, professor em dois continentes, Leo Sptizer [1887-1960] foi um dos grandes vultos da crítica e da história literária no século XX. Formado na melhor tradição filológica e estilística das universidades germânicas, era capaz de dedicar o mesmo empenho e argúcia a um texto medieval ou a um slogan contemporâneo, a Gil Vicente ou a Marcel Proust: nada, na língua e na linguagem, deixava-o indiferente, tudo parecia suscitar nele a mesma curiosidade, o mesmo gosto pela porfia explicativa. Em Três poemas sobre o êxtase, a propósito de poemas de John Donne, San Juan de la Cruz e Richard Wagner, o crítico austríaco desafia o fenômeno poético no que ele parece ter de mais avesso à linguagem cotidiana e à investigação racional: a expressão de estados de alma tão fugidios e intensos, tão esquivos como centrais. Em suas mãos, o exame das minúcias e dos meandros de cada poema perde toda aridez, e o microscópico transfigura-se em microcósmico.

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    Dreykon Fernandes20/07/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Que surpresa agradável!

    Que surpresa agradável! Não esperava gostar tanto do livro. Ao ler os poemas que abrem o obra, não dei tanta importância, ou melhor, não os levei tanto em conta já que são, à primeira vista, aparentemente simples. No entanto, após as cuidadas análises feitas por Spitzer, meu horizonte perante o fenômeno poético desses poemas se alargou de uma tal forma preciosa que todos passaram a despertar: o êxtase! Foi inevitável. É inevitável. A forma com que ele começa a sua palavra nos apresentando o jugo do poeta Karl Shapiro e que, futuramente, se revelará uma grande ironia é uma bela estratégia para polir a sua própria crítica - o que no fim das contas nos reverberou quase como uma chiste discreta. É simplesmente admirável como ele pontualmente tece a sua análise a ponto de a todo instante o leitor estar contrastando um poema a outro - se não pela símile, por que não pelo aspecto variegado? Sem contar a felicidade que eu fiquei ao ver, mais uma vez, a corroboração da qualidade paradigmática das "Bucólicas", de Virgílio, na construção da concepção ocidental de campo e cidade. Livro poderoso.

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